segunda-feira, 31 de agosto de 2009

No teu quarto

Naquele noite o tempo parou.

Fitava a sua cara angelical por entre um sorriso discreto mas que era nela tão puro e transparente quando representava contentamento e felicidade. Era o seu quarto, o seu pequeno mundo.

Sempre me senti mais confortável com a ideia de um espaço que não fosse o meu, ou totalmente meu, ou desde sempre meu, que não fosse criado por mim.

Na verdade imaginava como seria um quarto diferente ou caso eu tivesse a capacidade para fazer a mudança desde dentro ( “so I start a revolution from my bed”) que não o tivesse que o olhar com os meus olhos. Que conseguisse reflectir algo em mim, que tivesse reflectido alguns dos meus gostos, um pouco do que sou.

Os quartos devem ser os locais mais íntimos, mais pessoais, é neles que sozinhos à noite nos confessamos e confrontamos... diante daquelas paredes ficam os fantasmas que nos perseguem e da janela vemos o sol a nascer lá fora enquanto os nossos sonhos se desvanecem ao acordar e outros se vão criando e projectando.

É um local como que “sagrado”, num único local se depositam tantos anseios, tantos receios, tantos momentos e memórias todos acumulados nesse pequeno espaço… engraçado…ao mesmo tempo quando olho para ele apenas vejo uma pequena clausura de memórias distribuídas de forma desordenada, as paredes parece que me cercam, o espaço e o ar é por vezes sufocante… sinto-o como um reflexo do meu pequeno caos interno.

Não reflecte o meu lado mais solar (talvez porque nunca tenha sido muito dedicado a ele), os meus gostos, interesses, sonhos, não me capta totalmente, a minha essência… apenas demonstra uma parte de mim próprio que se entrega e não consegue mudar pequenas coisas, nem que seja o seu próprio quarto.




Queria viajar para outro quarto, mas ao mesmo tempo o saber que aquela cama é só minha, o saber que dentro daquele espaço desordenado e caótico apesar de tudo só eu me via a mim próprio e não tinha que partilhar esse espaço. Fazia-me sentir confortável no desconforto, mesmo naquelas inúmeras horas em que o tenho que confrontar…Mesmo evitando esse momento em que nele me vejo só e tenho que adormecer.
Apesar desse comodismo, ele nunca me fez sentir verdadeiramente tranquilo, feliz nem me ajudou a adormecer…Talvez no inicio…Como uma relação…Se calhar ele foi-me conhecendo e eu a ele e depois fomo-nos perdendo um do outro e afastando progressivamente…Tal como a relação com uma planta, se calhar deixei de o regar e ele foi murchando e assim deixei de tentar lutar por ele por sentir que ele também nada fazia por mim. Muitas relações degradam-se assim…Umas acabam, outras vivem acabadas numa continuidade aparente.
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Talvez por isto, eu amava todos os pequenos pedaços do seu quarto…todos os cantos dele…Pelo facto de não me ver a mim nele, apesar de me ver a viver nele com ela…Mas isso era diferente. .. Nos primeiros tempos, nas primeiras vezes que nele entrei era como conhecer alguém… Encantava-me…Apaixonava-me e ao mesmo tempo assustava-me….
Reparava em todos os seus adereços, em todos os seus pormenores, estudava-o minuciosamente mas ao mesmo tempo sentia-me desconfortável como se ele também me observasse a mim…

Depois com a confiança, com o tempo era aonde melhor me sentia… Era o meu oásis. Retirava de mim toda a dor ou tristeza, como que me alimentava e satisfazia de sonhos e desejos que nunca outro local seria capaz de o fazer…

Lá encontrara a paz, sentia-me em paz comigo próprio, o machado de guerra estava enterrado, não era mais necessário estar em posição de defesa. Um local que me fazia sentir em paz comigo mesmo por nele não me(re) ver… Talvez porque nele a via em todo o lado… Isso sem dúvida era o que o tornava tão especial… Desde as cortinas coloridas, aos livros que ela gostava desde miúda, as suas recordações, todas as fotos lembrando momentos, as suas recordações, tudo aquilo que de alguma forma a havia marcado e ela guardara como um pequeno tesouro. Lá desde a essas recordações até ao odor dela se sentir por todo o quarto, ali parecia que a cama era mais macia, o ar mais leve, naquele espaço os silêncios eram belos… não constrangedores e de dor… eram simplesmente calmos e belos… como se fosse simples conseguir algo assim…


Vê-la nos livros, nas fotografias de menina e ver todo o seu crescimento, imaginar tudo o que ela ali sonhou, os momentos em que ali se fechou para se proteger do mundo, para pensar, para descansar, para fugir… Era engraçado… Chega a uma certa altura em que já tinha visto todas as fotografias milhares de vezes, mas sempre as fixava… Era tão linda desde o dia 1… Acho que me teria apaixonado por ela em todas as fases da sua vida… E não conseguia parar de pensar nisso, como gostaria de a ter conhecido antes, como daria tanto do que vi e conheci para ter a hipótese de ter estado com ela em todos aqueles momentos anteriores, em viajar no tempo e conhecê-la, apaixonar-me por ela em todas as fases da sua vida, mesmo aquelas em que ela achava não ser as melhores ou as que achava mais desinteressante…eu era capaz de apostar que eu seria aquele rapaz que a iria abordar e ia ver aquela beleza extraordinária que via nesse momento. Independentemente das mudanças exteriores que ele tivesse ou não.


Gostava de sentir que eu era importante, que o facto daquele espaço tão precioso para ela me ter sido dado a conhecer…ela ter aberto as portas do seu refúgio de sempre para mim, fazia-me sentir especial…

Ali ela era mais ela própria. A sua confiança e desenvoltura era outra, era capaz de se mostrar e de ser mais do que o era noutro qualquer local rodeada de outras pessoas. Sentia-se como uma princesa no seu castelo, ali sentia-se protegida e capaz de simplesmente não se preocupar com o mundo lá fora… sentia-se mais forte, mais segura de si e ao mesmo tempo isso fazia com que ela soubesse que ali podia se mostrar também mais vulnerável…que ali não tinha mal..era o seu mundinho e deixara-me fazer parte dele…. Era como se vivêssemos numa pequena bolha e nada nem ninguém podia ali entrar, só nós conseguíamos ver e sentir aquele mundo.

Nada era mais relaxante para mim… ali o sono aparecia com naturalidade, os fantasmas não conseguiam entrar, …. Todos os momentos ali vividos eram o mais próximo de estar a sonhar que se podia estar estando acordado… Era muito ténue a diferença entre o sonho e a realidade nesse espaço… tanto que hoje não consigo diferenciar bem o que era sonho puro ou realidade que parecia um sonho…

Tratava-se de um local mágico, pois ali sentia-se de forma arrebatada tudo, respirava-se poesia por todos os cantos, ali sentia-me completo… Aquele local tinha a capacidade de me tirar o enorme peso que carregava no peito, qualquer tipo de dor ou ressentimento ou preocupação… Ali sentia que podia de facto descansar.
Nada era mais belo e maravilhoso do que sentir os seus lábios húmidos, o seu beijo antes de adormecer, as luzes apagadas e sentir o seu corpo colado ao meu até adormecer. Ali nada era mais sexy que a ver… nua. Totalmente despida, não falo apenas de roupa, ali ela despia-se de tudo o que carregava também para o mundo exterior…ali também ela se sentia mais leve., ali ela podia retirar a armadura que erguia para o mundo…Nunca a vi com tanta claridade como nesses momentos.


Por vezes espantava-se como eu era capaz de me apaixonar e adorar tudo no seu corpo e como realmente me fascinava a sua beleza…como era genuína a minha admiração…Ao ponto de a intimidar sentir que alguém a via assim… Assustava-a que me tivesse enganado, achava que era impossível alguém a ver como eu a via, sem olhar para ela, vê-la de facto… Comigo se calhar sentia-se mais despida do que nunca e assustava-a estar assim e sentir que comigo ela podia estar totalmente despida sem juízos, recriminações… eu simplesmente admirava tudo. Ficava mais especado e colado nela que em qualquer exposição de arte que pudesse ir…Não havia quadro ou obra mais bela que eu pudesse contemplar, com a diferença que aquela estava ali diante de mim com o seu olhar meio que envergonhado desejando que aquele meu olhar nunca perdesse aquele brilho que tanto a fazia sorrir e sentir especial….Eu também não o queria perder.


Nada me fazia sentir assim… Eu era capaz de admirá-la durante horas…totalmente calado, vê-la dormir ou até mesmo no dia a dia… Da mesma maneira que era capaz de estar horas a ouvir a sua voz, e era capaz de estar horas a falar-lhe de tudo e de nada, era capaz de estar em silêncio com ela….e é muito difícil conseguir-se isso com alguém…
Assustava-lhe pensar como um pessoa tão instável e insegura de si própria e da sua forma de pensar ou sentir podia passar tanta certeza com aquele olhar…Como conseguia passar de forma tão transparente através do meu olhar um sentimento tão forte e intenso por ela sem necessitar de o verbalizar.

Saber que o meu olhar ao vê-la mudava… e era mais genuíno, apaixonante e interessante do que qualquer palavra que lhe poderia dizer que já não houvesse sido dita a outro alguém ou que uma carta que seria mais uma para guardar entre outras que já haviam sido escritas….

Aquilo que eu sentia era mais forte e especial que tudo o que pudesse ter sido dito ou escrito antes… Nada mais puro e genuíno que o meu olhar para ela saber…
Não conseguia entender como para mim, aos meus olhos, ela podia ser tão perfeita estando longe de o ser na forma como se via… Ela adorava senti-lo, dava-lhe uma segurança e conforto o meu olhar…mas ao mesmo tempo assustava como pelos meus olhos ela se podia ver tão perfeita como nunca imaginou poder ser para alguém… Não a censuro… Se eu conhecesse alguém que me olhasse como eu a olhava eu também ficaria assustado…assustado se alguém tivesse as reacções químicas, físicas e emocionais, alguém tivesse essa explosão interna sempre que me via como eu tinha com ela… Saber que podemos ter um efeito tão bom e arrebatador para alguém deve assustar.
Ela era mais bonita, mais interessante e mais perfeita do que qualquer outra exactamente por não o ser… Espantava-lhe como me apaixonava pelos seus defeitos e imperfeições e não apenas os tolerava… era por eles que a começava a amar, mais do que pelas qualidades que qualquer pessoa conseguia ver à vista desarmada.
O facto de ser real fazia-me amá-la, admirá-la… fazia com que ela fosse o mais próximo que pudesse existir da perfeição para mim… O ser ela, com tudo o que isso acarretava, com forças e fraquezas, simplesmente nada poderia ser mais perfeito do que o facto de ela ser assim…real.


Por vezes ficava incomodada com o meu olhar, pedia-me para não a fitar como eu fazia, deixava-a sem jeito o facto de sentir que observava todos os teus maneirismos, todas as suas expressões… Eu dizia-lhe que era impossível parar de olhar para ela… não conseguia…queria vê-la e conhecê-la mais que a qualquer pessoa no mundo. Queria fotografar na minha mente todas as suas expressões, quando estava feliz, assustada, sonhadora, a rir à gargalhada, a adormecer, a acordar, embaraçada, atrapalhada, eufórica, enraivecida, ternurenta…todas… Queria saber a sua história… Queria saber o que lhe interessava, porque lhe interessava, que sentia e a forma de ela sentir…Ela fascinava-me. Tudo nela me fascinava. Como um livro que nunca cansamos de ler ou um filme que vemos vezes sem conta e em todas as vezes encontramos algo totalmente novo e especial que antes não havíamos reparado mesmo já conhecendo os diálogos quase de cor…

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Era como tocar no céu e voltar saber que ao acordar era o seu corpo (tão perfeito ao meu toque que parecia que havia sido desenhado para mim) que poderia abraçar, seria os seus doces lábios que poderia beijar e saber que seria o seu lindo e ternurento rosto que veria ao acordar, a olhar para mim com o seu lindo sorriso a brilhar para mim, tal como o sol brilhava lá fora, só que aquele sorriso brilhava só para mim… Sentir que tinha aquela linda mulher ao meu lado e ao mesmo tempo aquela menina das fotografias na forma pura de sentir e sonhar comigo…calhava bem, porque eu também era apenas um homem a seu lado, a tentar a aprender a ser adulto mas que ainda tinha dentro de mim aquele miúdo meio tímido e assustado mas com uma enorme habilidade de sonhar… Já não éramos crianças…Cada um tinha as suas cicatrizes, mas ali, naquele espaço, isso perdia importância… Com ela ali do meu lado, conseguia adormecer tão bem, tão feliz e descansado sem me preocupar com o dia de amanhã como nunca o conseguira sozinho… Se calhar desde criança que não dormia assim, quando era ainda muito pequeno e os meus pais ficavam comigo até eu adormecer… Desde aí que nunca me havia sentido tão calmo, seguro, tranquilo… desde esse tempo que não me sentia tão em casa…


No seu quarto eu via os seus sorrisos a sua mágica presença na minha vida, por entre a cor das cortinas iluminadas pela luz do sol quando amanhecia… Sentia que era capaz de passar o dia inteiro sem sair da cama, não sentia nem fome nem sede, ela e a sua presença saciavam-me totalmente, só tinha olhos para ela e era com pena que saíamos dele…Adiávamos o momento ao máximo. Não precisava de mais nada. Tudo o que precisava estava ali naquele quarto. Ela e o seu local mágico iluminavam as minhas sombras, preenchiam-me e faziam com que eu não sentisse as minhas carências…




Era como se todos os meus medos e receios e tudo o que eu não gosto em mim deixasse de fazer sentido e todos os meus defeitos e falhas e tudo o que odeio em mim parecessem coisas tão aceitáveis e inócuas quando estava com ela…




Ela conseguia isso… Quando juntos brincávamos, nos riamos de todas as coisas mais insignificantes que víamos nas pessoas e nas situações… a capacidade de eu me rir dela e e ela de mim sem nunca nos sentirmos ridículos aos olhos um do outro… O tudo nunca parecia demais quando estávamos juntos. Nunca havia cansaço ou tempo a mais juntos…. Tudo parecia ter tanta lógica e bater tão certo quando estávamos juntos… Até para mim que sempre questionei e problematizei tudo… Juntos era como ter a resposta para todas as equações sem nunca de facto ter de me preocupar ou perder tempo a fazer os cálculos ou rever resultados para ter a certeza que estava correcta a solução… Era como um dom inato que alguém tem para escrever, para tocar piano ou cantar e não sabem explicar como conseguem fazer o que fazem e que não está ao alcance de todos, apenas lhes sai assim, de forma natural, faz sentido que assim seja e por assim fazem daquela forma e não de outra e sai algo tão perfeito sem se conseguir perceber como eles conseguem e outros não… Era assim com ela…



A magia não estava afinal no quarto, estava nela… Ou naquele pequeno espaço entre nós…

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Todo irá bien!

Ás vezes deixo.me aparvalhar...Penso em coisas idiotas, sem qualquer tipo de utilidade...E sempre que pintava tudo negro ou parecia que alguém em meu redor o fazia, para o animar na brincadeira cantava esta música em Madrid aos meus amigos. Ouvi-a uma vez na tv enquanto estava na minha habitácion,e a musiquinha ficou na cabeça, assim como a cantora.

Naqueles longas noites de estudo em que muitas vezes o desalento parecia tomar conta, mas no fim das contas "todo te irá bien...". Um sorriso nascia logo a seguir.
Isso e o Hakuna Matata e uma série de reportório bem variado de palhaçadas servia para que ninguém desanimasse.
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Para que não me aparvalhe muito,fica aqui a musiquita que certamente se estivesse com esses meus amigos nestes últimos tempos eles me cantariam para eu deixar de aparvalhar ou cantaria eu a eles se visse que eles estavam a aparvalhar...Isto depois de eu fazer 50 vezes a mesma pergunta a todas as pessoas se não achavam que a Chenoa devia ter ganha la Operación Triunfo, mesmo só para chatear e ouvi-los a encarar como uma pergunta séria e darem respostas sérias quando eu nem fazia idéia da Operação Triunfo deles quase.lol.

Por isso se alguém que por acaso leia este blog, esteja a aparvalhar,a pensar em coisas estúpidas, esteja a pensar em coisas más e que tudo é mau, cá vai...Não aparvalhem... "Todo irá bien"!;).





ps.Que guapa me ha salido esta Chenoa ah?;)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Lovely





"I just want another night, I just want another try..."


Walz for a night, Julie Delpy


Imagens de:
Before sunrise/Before Sunset

domingo, 23 de agosto de 2009

Eternal Sunshine of the Spotless Mind



How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each
wish resign'd;

Alexander Pope in "Eloisa to Abelard"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Voar



Voar Tim

Eu queria ser astronauta,
O meu país não deixou,
Depois quis ir jogar à bola,
A minha mãe não deixou.

Tive vontade de voltar à escola,
Mas o doutor não deixou,
Fechei os olhos e tentei dormir,
Aquela dor não deixou...

Ó meu anjo da guarda,
Faz-me voltar a sonhar,
Faz-me ser astronauta,
E voar...

O meu quarto é o meu mundo,
O ecran é a janela,
Não choro em frente à minha mãe,
Eu que gosto tanto dela.

Mas esta dor não quer desaparecer
Vai-me levar com ela...

Ó meu anjo da guarda,
Faz-me voltar a sonhar,
Faz-me ser astronauta,
E voar...

Acordar meter os pés no chão,
Levantar, pegar no que tens mais à mão,
Voltar a rir, voltar a andar, voltar, voltar...
Voltarei... (8x)

Acordar, meter os pés no chão,
Levantar, pegar no que tens mais à mão,
Voltar a rir, voltar a andar, voltarei...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Fim(dias que passam) - Toranja

Vou partir...


Para lá do tempo, para lá do horizonte, vou partir…

Lá longe onde já o sol se pôs,onde já não há norte nem sul ,vou partir ...

Parto sem mágoa ou ressentimento a não ser de mim

Parto vendo tudo com claridade, enquanto os nomes, os rostos e memórias são famliares.

Parto por na prática nunca ter sido mais que uma prisão em mim.

Pelos dias solarengos que não deixei a minha pele sentir, parto com as noites que de tanto se acumularem já perdi a conta dos dias…

Parto antes que amanheça, enquanto as imagens são momentos, parto enquanto ainda consigo sentir saudade…

Parto enquanto consigo ainda avistar-me ao longe, enquanto tenho memória de mim mesmo, do que um dia fui…

Nunca ninguém disse que era fácil partir…mas também não é fácil ficar quando não se tem um local para chegar, um regaço aonde se possa descansar…Então partirei sem terra à vista…

Partirei e os dias serão iguais como sempre foram, mas parto com o desejo que tenham outro sentido. Parto sem pretensões de deixar saudade.

Parto enquanto ainda consigo sentir o vento na cara e fechar os olhos e sentir o ar a maresia que me abraça. Parto sem despedida, porque essas ficam para alguém que um dia esteve presente…


Parto enquanto a imaginação permite-me saborear todos os momentos que poderia ter tido caso não tivesse vivido tão obcecado com o medo da imagem de um dia ter que partir…Como que sempre a tivesse visto...parto enquanto ainda posso pensar que teria feito alguma diferença se não tivesse partido.

Parto enquanto ainda me permito sonhar com momentos que ,apesar de não poder repetir, foram tão intensos que no meu peito se eternizaram, mesmo que no espaço do tempo sejam tão curtos para os desejos que ficaram por cumprir…

Comigo levo as lágrimas, as tristezas, a dor, que alguma vez tenha causado, e espero deixar algo de bom… Não sei o quê…Mas se de alguma forma for um momento, nem que tenha durado ternos segundos que alguém sorria ao lembrar… já será algo…

Vou partir enquanto me é permitido pensar que tudo o que vivi de alguma forma foi mais real do que eu, que não passou apenas de um devaneio de uma noite que nunca vivi, de um beijo que nunca senti, de um abraço que nunca me aqueceu, de um olhar que nunca me amou….

Parto assim, sem destino nem sentido…. Mas se alguma vez o fizesse, então acho que não seria eu a partir… Parto com a esperança de alguma vez, num local especial, num tempo mágico eu tenha aí ficado cristalizado... que as flores continuem a crescer,pássaros feridos possam ainda aprender a voar,os sonhadores nunca tenham que parar de sonhar... as estrelas não parem de brilhar e os sorrisos não tenham nunca que se apagar…

Viver fora do Tempo

Porque por vezes sinto que vivo fora do tempo ou num tempo que não é o meu...

The Beatles



She Loves You





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Twist and Shout

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Come Here- Before Sunrise





"I believe if there's any kind of God it wouldn't be in any of us, not you or me but just this little space in between. If there's any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone sharing something. I know, it's almost impossible to succeed but who cares really? The answer must be in the attempt.
"
Celine in Before Sunrise

Não há melhor definição que eu possa dar em relação a puro e genuíno amor...A mais bela cena de puro amor alguma vez filmada...Não são necessárias palavras...Aqueles olhares, o silêncio ao som da bela música de Kath Bloom...A inocência do sorriso de quem quer eternizar a beleza de um momento definidor...Naquele momento sabiam...ambos sabiam...a resposta estava entre eles...Naquele pequeno espaço entre eles...
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Já há uns tempos valentes escrevi sobre este filme,talvez um dos filmes da minha vida,o meu favorito...Quando um livro,um filme nos marca,sentimos como que uma falta imensa das personagens que tanto nos apaixonaram e que passaram a ser reais dentro de nós...Como velhos amigos que gostamos sempre de recordar...Falta escrever sobre a continuação...Before Sunset..Mas a deixa é mais o menos esta " O que vocês fariam se tivessem uma 2ª oportunidade com aquela(e) que ficou para trás...?" Merecerá um post só para ele, no dia em que decida partilhá-lo com este espaço.

Live Forever




Live Forever


Maybe I dont really want to know
How your garden grows
I just want to fly
Lately did you ever feel the pain
In the morning rain
As it soaks it to the bone

Maybe I just want to fly
I want to live I dont want to die
Maybe I just want to breath
Maybe I just dont believe
Maybe youre the same as me
We see things theyll never see
You and I are gonna live forever

Maybe I dont really want to know
How your garden grows
I just want to fly
Lately did you ever feel the pain
In the morning rain
As it soaks it to the bone

Maybe I will never be
All the things that I want to be
But now is not the time to cry
Nows the time to find out why
I think youre the same as me
We see things theyll never see
You and I are gonna live forever
Were gonna live forever
Gonna live forever
Live forever
Forever

Oasis





Já dediquei um post a eles.Mas um é pouco. Trata-se da minha banda favorita, da melhor banda do Mundo e de dois ídolos, duas lendas.
Os manos Gallagher há anos entre várias mudanças de formação são a alma dos Oasis.
Noel o gênio que escreve e compõe como poucos, Liam a derradeira estrela Rock. Já não existem volcalistas com a postura de Liam., com o seu atrevimento, com a sua arrogância e o seu life style de estrela Rock. Os seus fu** o** para tudo e mais alguma coisa,a sua atitude em palco tornam dele uma figura mítica.
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As inúmeras polémicas seja a criticar outras bandas e a sua capacidade para se envolver em polêmicas mas sempre com o seu estilo único. A junção da genialidade de Noel e da voz suja de Liam e a sua atittude fazewm dos Oasis a melhor banda do Mundo. Aquela que sobreviveu ao grnade movimento da Britpop com bandas a destacarem-se como os Suede, Pulp,Elastica e os seus grande arquirivais na battle of the Britpop os Blur.
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Nos anos 90 a Britpop rebentou como forma de resposta ao movimento Grunge que vinha dos EUA, devido principalmente aos Nirvana e ao facto de influenciar a que as bandas britânicas seguissem essa onda.
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Daí apareceram uma série de bandas que como forma de resposta apareciam com um som diferente, influenciado pela década dourada dos 60 e 70 da música britânica, com letras que apelavam ao sentimento inglês e aos problemas do dia a dia dos habitantes da Grã Bretanha que enssa época vivia uma mudança política iminente.
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Ficou para a história o pico deste movimento quando os Blur decidem adiar o lançamento do seu album com o single Country House para o mesmo dia que Oasis lançariam o seu novo album Whats the Story (Morning Glory) através do single Roll With It.
País parou, os telejornais não falavam de outra coisa, as acusações entre as bandas e o chamado talk trash não parava entre membros da banda.
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No Top of the Pops descobriu-se que haviam sido os Blur a entrar directamente para o 1º lugar, vencendo a batalha aos Oasis. Mas estes venceram a guerra... Quando nos EUA uma editora encontrou a música que os lançaria a nível Mundial...Wonderwall.
Os Oasis a partir daí esmagaram qualquer outra banda e entrara no mercado americano de forma que os Bur nunca haviam conseguido.
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Enquanto os Blur e todo o movimento britpop foi morrendo,os Oasis ficaram. Perderam a batalha do single,mas ganharam a guerra.
Ao contrário dos Blur que vinham da classe média tentando escrever problemas e associar-se à classe trabalhadora...Os Oasis eram de facto uma banda da classe trabalhadora e origens modestas vindos da industrial Manchester.
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Hoje é impossível pensar em Manchester sem pensar em Oasis, assim como é incrível que apesar de problemas com drogas, polémicas e discussões entre os irmãos e o temperamento difícil de Liam, os Oasis continam aí, com grande som, grandes temas que farão para sempre parte da cultura Pop Rock. Alguém disse que Liam era a última grande estrela puramente Rock que ainda se portava e vivia como tal.
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Há coisas que vivem para Sempre... Afirmações como as de Noel " Não acho que sejamos arrogantes , apenas achamos que somos a melhor banda do Mundo" ou de um jovem Liam em 1995 quando os Oasis apareceram que já tinha a audácia de dizer " Nós somos os Beatles e os Stones "
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Fãs confessos da banda de Liverpool, é impossível não notar uma série de pequenas homenagens que os Oasis fazem a essa mítica banda, que vai desde o nome(Oasis é o nome de um bar de Manchester aonde os Beatles tocavam) até a algumas riffs de homenagem aos Beatles como a Whatever que no final de muitos concertos se transforma na Octopus Garden dos Beatles.
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Felizmente concretizei um dos meus sonhos ao ver no an que passou, os Oasis pela 1ª vez ao vivo. É impossível não ficar magnitizado pela presença de Liam em palco na sua postura i dont give a fu** e a genialidade de Noel na guitarra.
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Coisas vão e vêm,mas os Oasis....Live Forever...
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E aqui um pedaçinho do que foi o ver o concerto dos Oasis ao vivo...Fica ainda o sonho de conhecer a sua amada Manchester...Mas o de os ver ao vivo já está e nas 1ªs filas de frente para a lenda viva do rock Liam Gallagher.
Oasis no seu estado puro. Arrepiante:




segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Blue Moon





Blue moon,
You saw me standing alone,
Without a dream in my heart,
Without a love of my own
.Blue moon,
You knew just what I was there for.
You heard me saying a pray for
Someone I really could care for.
Blue moon,
You saw me standing alone,
Without a dream in my heart,
Without a love of my own.
Blue moon...
Without a love of my own

Elvis Presley

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Choose Love



Lyrics by Rita Red Shoes


I choose to hide
But I look for you all the time
I choose to run
But I'm begging for you to come
I wanna break
But I know that you can take
I stay a while
To be sure that you're by my side
Oh, oh

Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care

I choose to find
Things that you left behind
I choose to stare
But I can take you anywhere
I wanna stay
But my soul leaves you anyway
Can close the door
And love, could you give me more

Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care

Choose love, choose love, love
Choose love, choose love, oh

Don't wanna hear, I wanna fight
'Cause this time I won't be wrong
And I can waste this precious time
Asking where do I belong
So let me know your love is real
'Cause this time you won't control
Tell me please, what do you feel
Do I have to save your soul

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Resposta

Sabes quem sou?













Sortes tingidas na partida de um barco.
Noites vencidas no sem fim de pedaços, jogados, fugidos.
Escadas acesas, compassos desmarcados, ranhuras incertas, o banco roubado, o chão que está perto, um olhar um deserto, um suspiro vestido, um frio comprido…
Se fosses tu ou fosse eu, quem realmente importa? Pois, o louco sou eu…
A eterna graça perdida, a paz que repousa na dor do vazio, a alma que vive presa numa parede, a leveza de um aroma que se prende num peito inquieto , num grito concreto de quem espera um toque … desejo feito e desfeito na pele, que deixa amar e partir.
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A luz que abre portas na noite escura e densa…A luz que vence o tempo, que guarda momentos e recorda saudades… Capaz de iluminar, capaz de cegar, capaz de ser a do sol que irrompe por entre a janela no dia que nunca começou, que nos tira do sonho, ou a luz que nos abraça dando-nos o seu regaço e cumplicidade por entre as sombras dos locais em que vagueamos, por entre um despertar que nunca se fez…
A rua que no longo caminho que percorro me faz respirar na distância que fiz sem nunca dela ter partido. O passado que se cruza com a folha de papel vazia, as cores antes frescas que nos transportam para a tela e que hoje são olhos sem alma.
São viagens, são segredos , é lume sem estar aceso, é fogo e mar, são lutas sem armas e vitória sem glória. As conclusões são portas sem chave…A cama está vazia, o rio secou, a lágrima contida diluída nas tantas outras que deixaram histórias por contar, inundou-se de nada…
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.Sou tempo, sou mar, sou dias, noites, barcos e marés, pôr do sol , um filme, uma musica , sou Outono, sou Verão, sou frio, sou quente, sou mãos que se prendem, corações que se desatam, sou loucura, sou desejo, sou dor , sou amor, sou os silêncios… sou guerra sou paz, verdade e mentira, Luz e trevas… Estou longe, estou perto...Sou nada, sou tudo… Sou nostalgia, sou saudade, sou remorsos, sou brisa, sou miragem, sou todas as pequenas coisas irrelevantes, sou todas as palavras importantes que são difíceis de sentir, sou sonho, … Sou tudo aquilo que desperto seja isso real ou irreal… Chega uma altura que já nem eu me sei distinguir perante as pessoas que de alguma forma toquei, de alguma forma me dei, de alguma forma me tornei um bocadinho delas naquilo que hoje sou.


Sabes quem sou?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Não deixes o teu coração parar de bater





















Espera um momento… Relaxa… Respira fundo…levanta-te.
Não podes mudar o que já foi e passou nem secar as lágrimas que deixaste cair…
Nós as pessoas que pensamos a nossa existência como quem corre no labirinto do incerto, não nos permitimos a sonhar ser perfeitos, apenas livres…
Vivemos os nossos sonhos sozinhos por entre indiferenças sem resistência e vemo-los desaparecer por entre as estrelas que pretendemos ver e nos fogem…
Só tens que aceitar que o verdadeiro perfeito tem que ser imperfeito e deixar viver o sopro de vida que tens dentro de ti…


Pouco a pouco vais desistindo de tudo o que já sonhaste, vais perdendo tudo o que nunca ganhaste e o pouco que alguma vez já foi teu… Vais desistindo de ti...
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Anda lá. Levanta-te! Porque tens medo? Mesmo que agora todas as estrelas se escondam no céu, tenta não te preocupar porque se as avistaste um dia, chegará o dia em que as avistarás novamente… Basta deixares de ter medo...
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Olha-te ao espelho, pega naquilo que precisas para o caminho e faz-te a ele…apenas nunca deixes o teu coração parar de bater…
Mesmo quando oiças vozes dentro de ti que te perguntem a verdadeira razão de estares aqui e não noutro sítio qualquer, que te digam que estás perdido e que não fazes a mínima ideia de onde te encontrar, ignora… Percebes o que te estou a dizer? Ou terei também eu ficado do lado errado da estrada?


Simplesmente não ligues às perguntas…Nem procures uma resposta que não existe… Simplesmente deixa de perguntar, não tenhas medo que o destino se é que ele existe te possa fazer feliz… A verdadeira resposta não existe…O sentido está na procura…Na descoberta… Na capacidade que terás de ser tu a fazer as perguntas certas e não em procurar a resposta certa… Perguntas certas que serás tu próprio a fazer a ti mesmo… Não aquelas que são ditadas pelos outros, pelo teu medo ou insegurança…


Não te deixes inundar de dúvidas, enche antes o teu corpo de desejos, confiança e esperança… Não tenhas medo de viver do presente e pensar que o futuro será sempre teu… Começa a construí-lo hoje… Pega no que te faz forte, no que é teu, faz-te ao caminho sem olhar para trás...Que o teu sorriso volte a brilhar...que brilhe por entre as trevas do pensamento e te ilumine o caminho... e acima de tudo, nunca te esqueças… Não deixes o teu coração parar de bater…

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Algarve....


Rocha- Never See you



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Fica aqui uma das músicas da maravilhosa banda sonora do maravilhoso filme The Hottest State e a promessa de num futuro próximo escrever sobre ele...Para já, fechem os olhos e desfrutem...

domingo, 2 de agosto de 2009

Madrid 2007-2008 Parte 2







Foi nesse clima de pluralidade, conhecendo várias pessoas, primeiro observando os vários grupos dando-me com todo o tipo de pessoas, numa 1ª fase ouvindo mais que falando porque mais de 70% do que falavam não entendia, mas nunca desistindo e estando sempre presente nem que fosse para que gozassem comigo como eu gozaria com alguém que é o único de um colégio inteiro que não sabia palavras normais do quotidiano deles… lol.
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O Colégio era o reflexo também da cidade , do povo um pouco de tudo… Madrid pode ser uma cidade agressiva para quem vem de fora. O povo espanhol não faz um esforço para integrar estrangeiros nem tem aquele porreirismo típico portugês de receber os estrangeiros e de querer sempre adaptar-se às suas necessidades e exigências, tentando sempre mesmo que não saiba falar o seu idioma etc..
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Em Espanha quer na faculdade, quer no colégio, quer no dia a dia era para mim bem claro uma coisa. Estás em Espanha não em Portugal, aqui fazemos as coisas desta maneira, és tu que tens que te adaptar a nós e não nós em ti. Já não estás no teu país.
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Logo não são dadas facilidades, o que só valoriza mais o nosso esforço e depois o sentimento de quando nos sentimos integrados e conseguimos entender a forma de pensar e de estar… Aí reparamos que é uma forma de serem, mas que para quem se integra conhece um povo alegre, muito festeiro, que vive na rua, gosta de convívio e de se divertir.

Enquanto que em Portugal o trabalho acaba e cada um vai para casa…Em Madrid é diferente…O trabalho acaba e antes de ir a casa todos passam pelos bares de tapas a beber uma caña e comer umas tapas e falar com os colegas, amigos etc . Valoriza-se muito o convívio entre amigos, famílias etc.

Ao fim de semana é ver famílias inteiras nos inúmeros bares de tapas, a passear pelas ruas.
Madrid é uma cidade que nunca dorme, à noite vemos sempre gente na rua e todos saem à rua.
Há a tradição dos botellones, em vez dos jovens beberem numa discoteca ou bar e gastarem mais dinheiro…Juntam dinheiro compram garrafas a meias e bebem na rua convivendo com outras pessoas e já vão para as discotecas e bares já bebidos gastando assim menos.

A tradição é tão grande que levou a problemas em termos de poluição nas ruas com garrafas, copos etc… Em Madrid os botellones estão actualmente proibidos, mas isso só faz com que os jovens o façam ainda com mais gosto até pela emoção que é de uma vez por outra ter que fugir à polícia…lol.
Cada um leva um saquinho, com as garrafas, as copas, gelo etc e vai-se conhecendo gente e andando pela rua.
Em Espanha passas-se muito tempo na rua, socializa-se bastante e tem outras curiosidades como o horário da siesta, em que tudo está fechado, inclusive nas universidades…
Na época não via lógica…Mas depois entendi que era até bastante útil. Todos saem nem que seja umas horitas pa beber umas cañas com os amigos, mesmo havendo aulas no dia seguinte… O cansaço depois de uma manhã de estudo ou trabalho é totalmente atenuada com uma horita ou meia horita de siesta que nos deixa como novos para o resto da tarde.
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Para mim era apenas chato porque quando chegava ao Colégio era para almoçar e tinha aulas de tarde e tava tudo fechado quando precisava de fazer compras…Quem lucrava com isso eram os chineses que trabalham todos os dias e sem direito a siestas…lol.
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Posto isto
Depois numa segunda fase, participando, conseguindo ser eu próprio adaptado a outra realidade, tentando dar um pouco de mim também aquele colégio e aprender com os outros a olhar para uma série de aspectos da vida, sociais, e da forma como vemos as pessoas que não era capaz de fazer… Transformando-me sem nunca deixar de ser a pessoa que sou, apenas capaz de compreender mais os outros, adaptar.me a outra realidade.
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Fiz grandes amigos… Senti como poucas vezes na vida como podemos ser mais fortes do que pensamos… Como quando necessitamos podemos adaptarmo-nos e ser felizes. Conheci-me melhor a mim próprio e estando no meio de amigos com estilos de vida totalmente distintos, formas de pensar distintos, gostos diferentes acabei por eu próprio ver-me de forma distinta… Comoveu-me ver como tantas coisas podiam ser tão mais simples e como havia gente capaz de se segurar firme aos seus sonhos sem se deixarem abater por serem mais ou menos possíveis… A liberdade de sentir que nunca é tarde para sermos o que queremos ser seja para nós próprios ou para outras pessoas.
E que não somos produtos já acabados e incapazes de mudar o rumo…Que nada está pré estabelecido e que temos coisas maravilhosas dentro de nós e capacidades que nós próprios desconhecemos… Lá fizeram-me ver que ainda tinha coisas para descobrir sobre a minha forma de pensar ou sentir, sobre o que gosto ou não gosto, o que quero ou não… acima de tudo sentir que temos alguém que confia que somos capazes de sermos mais do que aquilo que sequer imaginamos…
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Fiz lá um grupo de amigos muito forte. Unidos na luta quando era para estudar para os exames, nas longas noites acordados a falar de tudo e de nada, fosse na palhaçada ou a filosofar sobre a vida, as mulheres e os homens, o amor, o futuro etc…
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Sentir que chegamos a um sítio em que não conhecíamos nada nem ninguém e vir embora e sentir que deixamos tanto para trás eque escrevemos uma página que quando chegamos estava em branco…
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Por isso sou capaz de escrever sem parar sobre o que vivi lá, pelos amigos que fiz, pelas futeboladas até de madrugada, pelas palhaçadas a imitar o Robert de Niro nos filmes dobrados, pelos relatos na rádio do colégio, pelas festas, pelas idas aos chupitos da Toni o tasco mais badalhoco que alguma vez vi mesmo percorrendo vários tascos pela cidade do Porto, os momentos em que saudade apertava, os momentos de riso de alguns, choro para outros, mas acima de tudo a capacidade de juntos erguermo-nos sempre. De ficarmos unidos.
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De eu saber que por mais que vá para longe o meu coração nunca se afastará de Madrid…Que lá terei sempre um colchão para mim sempre que os queira visitar… Que posso ligar a altas horas da madrugada para meu amigo José Luis da portaria e falarmos do Real Madrid, da gente do colégio, de rirmos um com o outro e de o apanhar sempre de surpresa com a palavra “abogadooooo” sempre que ele atendo o telefone imitando o el cabo del miedo com a minha fabulosa imitação da voz do Robert de Niro em espanhol… De saber que sempre que me despedi deles foram com abraços sentidos, que o meu grupo mais próximo são como irmãos para mim e o José Luis era como o nosso pai em Madrid… Longas noites que ele passava na porteria a aturar-nos, com as nossas palhaçadas, a falarmos de tudo e mais alguma coisa… Saber que ele nos via um bocado como filhos. Que nos quiere mucho como se diz em espanhol.
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Saber que quando me pergunta se tudo está bem não o pergunta por circunstância. Sentirmos que cada 9 ou 10 que tirávamos era celebrado com o seu sorriso como vendo mais um passo no sucesso dos seus niños.
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Quando alguém adocia era ele que se preocupava em telefonar para o quarto a perguntar se precisava de ir até ao comedor comer fora de horas, ou ia os comprimidos que fossem necessários.
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Que quando um de nós sofria avisava os demais para temos em atenção e lhe darmos apoio… O nosso grupo era assim… Muitas noites acordados, muitos pequenos almoços nocturnos que não eram permitidos a não ser a nós próprios, muitas vezes cada um a estudar o seu e todos a estudarmos a matéria de todos…. Ou a não estudar nada e a alucinar.nos talvez por excesso de sono ou red bull e ter um palhaço de serviço que começava a cantar o Hakuna Matata quando alguém tava a ir abaixo e daí começávamos todos a meio da madrugada a cantar numa sala de estudo… Essas e outras músicas…lol. Agora que penso o palhaço de serviço que iniciava as hostes era na maior parte das vezes eu…lol.
Los Nocturnos… Não me lembro quem nos deu esse nome, mas assim ficamos…Serei siempre un Nocturno por mais que passem os anos…
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Já escrevi demais…Mas sempre que penso em Madrid é impossível não sorrir e pensar em momentos inesquecíveis e de grandes amigos que lá deixei.
Tenho pena por aquilo que perdi cá, um dos meus medos a ir para lá era perder as pessoas cá…Mas aprendi que as pessoas que querem ficar e fazer parte das nossas vidas nunca perdemos, estejamos um ano fora ou mais.
Sei que se não tivesse vivido o ano que vivi em Madrid, teria-me arrependido para sempre e hoje não seria a pessoa que sou nem teria uma série de grandes memórias para guardar, nem estaria a sorrir a pensar sempre que vejo algo sobre Madrid, nem torceria pelo Madrid e por Espanha como torço actualmente sentindo-o quase como segundo país…
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Gracias por todo amigos, seré nocturno para siempre y el chami será siempre un local donde me siento en casa…Nunca vos olvidaré…Intentaré nunca apartar mucho mi corazon de Madrid…;).



Num filme que eu adoro( e sobre o qual escreverei num futuro post) o pai dava como conselho ao filho “Nunca afastes o teu coração do Texas”, pois eu tento sempre nunca afastar o meu de Madrid…
(continua…. Um dia falarei mais sobre a minha vida em Madrid, são tantos episódios, se calhar dei uma seca enorme a quem se deu ao trabalho de ler este texto e às poucas pessoas que visitam este blog…mas que diabos, é o meu blog, são pedaços de mim que aqui vou deixando…)
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Aqui fica uma música que tocava muito no Bar a que todos os colegias iam muito, que ficava perto do Colégio...O Iron.
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Los Pereza:Estrella Polar...Esta música sempre me remete para memórias desses tempos...

Madrid: 2007-2008 Parte 1






3:19. Estava descansando no meu sofá a pensar na vida e eis que me entra pela casa dentro imagens de Madrid. Um programa de 3 jovens portugueses a viajar por Madrid e a conhecer a cidade e isso fez-me sorrir… Tal como sorrio quando escuto alguém a falar espanhol, quando oiço uma música que me faça lembrar esse meu ano passado em Madrid…Tal como sempre que algo me faz lembrar episódios que vivi lá… Amigos que fiz e que nunca esquecerei, pessoas que me marcaram e me ajudaram como nunca poderão imaginar e num daqueles que foram dos anos mais felizes da minha vida.
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Dizem que Erasmus é one life time experience. Que devemos aproveitar ao máximo e é verdade. Aconselho vivamente a todos a experimentar se puderem. Vençam o medo, mandem-se à aventura, se forem sozinhos melhor ainda…
Desde miúdo sempre tive o sonho de ir para Erasmus… Sair do meu país, e ir para outro não apenas em turismo e não conhecer a cidade pelos olhos apenas de um turista… Ir para um sítio, chegar anónimo, não conhecer nada nem ninguém e ter que escrever uma página nova, acabando assim por me renovar a mim próprio e com a esperança de no final da viajem voltar mais forte, conhecendo-me melhor a mim próprio e trazendo algo de bom comigo da experiencia.
Devo confessar que o meu sonho sempre foi ir para o meu local especial e mágico que é Londres…Mas como na minha faculdade não tinha essa oportunidade…comecei a pensar noutras alternativas…Pensei em Itália, mas depois vi que a ir seria melhor ir para um país em que aprendesse um idioma que me fosse útil. Espanhol, pensei eu. E sendo Espanha para mim so faria sentido uma das duas maiores cidades: Madrid ou Barcelona…
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Sempre havia tido uma ideia algo romântica em relação a Barcelona e à Catalunha…mal sabia eu que o meu coração seria madrileno… Madrid não me dizia nada até lá chegar. Mas aí reside a lição e magia de tudo… Não são os locais que os tornam mágicos, são as pessoas e os momentos que por causa dessas pessoas neles vivemos…
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Escolhi Madrid pela cidade unversitária enorme e a possibilidade de viver num Colegio Mayor… Ficava perto do centro de Madrid pois a rede de metro de Madrid é das mais extensas e de melhor qualidade da Europa e ao mesmo tempo viveria numa verdadeira cidade universitária ao melhor estilo americano…
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Antes de tudo, tive que ir sozinho a Madrid conhecer os colégios e recolher toda a informação necessária. Fiquei perplexo com o que vi… A experiência de ter que andar de um lado para o outro e sem dominar ainda bem o idioma ter que me safar foi algo estranho qe nunca havia tido… Conhecer aquela cidade sozinho nesses dias e pensar se seria ali o meu futuro no ano seguinte, foi uma experiencia única… Como se houvesse uma química irresístivel que me dizia que ali poderia ser a minha casa.
Não tive dúvidas, depois dessa viagem que era ali que eu queria ficar.
Saír na estação de metro Ciudad Universitária e ver um Mundo diante de mim totalmente novo com todas as Faculdades , residências e colégios mayores concentrados numa única cidade dentro da própria cidade foi algo de arrebatador… Porque o nome cidade universitária aplica-se ali como nunca vi em lado algum. Engraçado pensar quando se falava em Portugal de espírito académico… Ali tudo era dimensionado a outro nível… Parecia tão perdido que prontamente um estudante ao ver-me embasbacado me perguntou que faculdade procurava e me deu indicações. Vi que tinha que ver num mapa para encontrar a minha faculdade. Incrível…O máximo que havia visto em Portugal era a tradição de Coimbra, uma cidade de estudantes…Mas ali via uma cidade de estudantes com bares, restaurantes, lavandaria, residências, colégios mayores, discotecas, campos de futebol e de todos os desportos etc…tudo dentro ainda da multi cultural e cosmopolita Madrid…
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Não me lembro de ter andado tanto a pé… Fiquei a conhecer a cidade universitária a pente fino, mas mesmo assim tinha que apanhar o metro ou autocarro porque era simplesmente impossível conhecê-la toda a pé.
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Percorri todos os colégios mayores. Falei com as pessoas, tirei fotografias de todos e trouxe formulários dos que me interessavam.
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Muitas vezes tentava explicar o conceito de Colegio Mayor, mas é complicado entender a quem nunca tenha vivido num. Não há nada que se assemelhe em Portugal, pois não é uma residência, pois dessas lá também havia, nem é uma república. É mais que isso… É uma casa, uma pequena grande comunidade que todos amamos e acarinhamos mesmo que não nos demos bem todos uns com os outros, há sempre grupos, mas todos nunca esquecem o amor ao Colegio.


São os melhores anos dizem… Enquanto numa residência dorme-se, come-se e pouco mais…Um Colegio é uma experiência sócio-cultural totalmente diversa.
Temos todas as condições. O quarto é minúsculo, uns com casa de banho partilhada por 2 ou 4 e outros individual. Mas depois temos pequeno almoço, almoço e jantar, lavandaria, uma espécie de vidioteca que podemos pedir todos os dvds que queiramos tal como funciona numa biblioteca. Sala de vídeo, rádio, salon de actos onde se dão concertos, fazem-se eventos culturais ou simplesmente se transmitem eventos desportivos ou culturias e sociais par todo o colégio e onde se fazem também projecção de filmes… Dois por dia na época de exames para que todos possam relaxar… Conta com ginásio, campo polidesportivo, piscina no verão, salas de estudo individuais e colectivas e ainda sala específica para arquitectura e até uma sala de festas para quem queira dar uma tal como sala de Tv com todos os canais à disposição.
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Não há Erasmus iguais. Aprendi ao longo do ano que o Erasmus é aquilo que nós queremos fazer dele… Daí uns dizerem que Madrid é maravilhoso e outros poderem não gostar, uns dizerem que Erasmus numa cidade é genial e outro não ter gostado… Depende do que essa pessoa fez para se adaptar, das suas expectativas…
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Eu não queria um Erasmus convencional…Não queria dar-me com um montão de portugueses e apenas estrangeiros de todo o Mundo e falar mais em inglês ou português que espanhol…Ser durante um ano um simples erasmus , um simples estrangeiro a viver em Madrid, mas sem qualquer ligação a ela…
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Se ia para Madrid eu queria ser parte daquela cidade, conhecer as pessoas, ver como pensam, os seus costumes, os seus hábitos…Então nada melhor que ir para um sítio aonde vivia com cerca de 250 espanhois.
No fundo eu nã queria passar por Madrid apenas, queria sentir-me como um português é certo, mas integrado em Madrid e não num grupo de não sei quantos estrangeiros… E acabei por sair com Madrid no coração, e o engraçado é que cheguei lá sentindo-me totalmente fora de tudo e era apenas “em português” e saí de lá continuando a ser o el “Portu” ou “ portugueiro “ ou “português” mas com todos a dizerem-me que já era mais espanhol que português… No final era um deles, e essa foi a minha maior conquista.
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Para entrar num colégio não é nada fácil. São muitas mais as pessoas que querem ir para um que as vagas existentes… Eu acabei por ficar encantado com um chamado San Agustín por um vídeo que vi no Youtube muito emotivo de um ano da vida colegial lá… Mas não era esse que me estava destinado…
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O processo de selecção passa por analisarem as notas dos alunos que chegam aos colégios e geralmente os novatos são alunos do 1º ano de faculdade…Pois eu era um caso diferente…lol.
Muito do processo de escolha assentava na análise de uma carta que tínhamos que fazer a falar de nós próprios e do porquê de querermos ir para aquele Colegio.
A seguir a fase decisiva era a entrevista…
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Pois eu fiz uma composição e enviei para todos os que me haviam agradado…Chamaram-me a entrevistas e o lá voltei eu a Madrid sozinho por 3 dias a fazer umas 5 ou 6 entrevistas…
Todas correram bem, ficaram todos surpreendidos com o meu castelhano, eu não sei porquê safava-me bem, talvez por ler jornais espanhóis desportivos, por ter visto muito Tsubasa em espanhol não faço ideia…Sempre tive jeito para idiomas e o espanhol saía-me naturalmente.

Curiosamente no colégio aonde fiquei mais com o pé atrás, por me terem obrigado a fazer um teste de cultura geral foi o colégio em que acabei por ficar… A minha casa…Colego Mayor Universitário Chaminade…

Na altura quando me chamaram de lá, só escolhi lá ficar por ser o mais barato e não ter ficado no tal que tinha visto na altura…

Mal eu podia imaginar a sorte que tinha tido… Tratava-se do colégio de Madrid mais popular, por ser o mais liberal, em que todos podiam ter a liberdade de fazer o que queriam e em que havia muita pluralidade, eles escolhiam pessoas totalmente diferentes… Daí haver os tradicionais subgrupos… Os “freakys” geralmente associados a matemáticas, físicas etc, os chamados totós que nos filmes americanos os vemos fechados no cacifo mas com bom coração, os hippies, vestidos com roupas hippies numa de paz e amor muito zens e consumidores de erva , curiosamente o grupo que menos me identificava por não entender como o despojo de bens materiais típico dos hippies e de paz e amor se dava com gastar o dinheiro dos paizinhos em erva e roupas da moda hippie… e pelo facto de para hippies serem bastante fechados neles mesmos. Havia depois os gajos do Rugby, os típicos também de filmes americanos todos machões que odeiam os freakys, que praticam o desporto mais nobre de toda a universidade e se embebedam no final de todos os jogos num jogo chamado “terceiro tempo”., havia ainda espaço para outros vários semi grupos, los fachos que eram os que tinham ideias de direita e geralmente conhecidos põe se vestirem de modo muito beto… Las pijas as raparigas betinhas que se vestiam de forma beta e eram as populares do colégio…
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E não pararia se continuasse…
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O 1º dia é uma lapada na cara sempre para quem vai sozinho para Erasmus…Saudades daqueles que mais queremos que ficam para trás, pensar que não os veremos durante tanto tempo e que chegamos a um sítio desconhecido em que todos falam tão rápido que não apanhamos nada nem ninguém nos entende muito bem e em que não sabemos como nada funciona…
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Pensei que iria chegar ao colégio e teria uma recepção de boas vindas…Geralmente chega-se mais cedo em Setembro, eu por causa dos exames cheguei em Outubro, já haviam grupos formados e pessoas que se conheciam… Chego lá e o porteiro (são 4 e revezam-se pois tem que haver um sempre durante 24h, são os baluartes do colégio, estão lá sempre, sabem a vida de todo o colégio, já viram de tudo, várias gerações a passar por ele e geralmente são quem recorremos quando há algum problema e um deles tornou-se um grande amigo como verão adiante, era quase um pai para mim lá) diz-me que tenho que ir comprar Almofada ao Shopping. É domingo, fim da tarde, nunca saí muito fora da cidade universitária e tenho que ir sozinho até a um shopping com muito poucas indicações e sem saber muito bem como voltar ou se voltaria uma vez que ficava noite e nem sabia bem o caminho…
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Chegar lá e pedir as coisas, ouvir as pessoas a falarem todas ao mesmo tempo… Aí percebi que afinal o espanhol não é assim tão fácil…
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Depois de tudo, chegar ao meu quarto e ver um cubículo minúsculo numa cidade altamente poluída comparada com o meu Porto no que diz respeito à qualidade do ar…
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Ir jantar sozinho e não perceber como funciona a cafetaria, (sóé necessária aos domingos que é quando não nos servem comida apesar de estar aberta durante toda a semana) e que tinha que escrever o que queria num papel com o meu nome para me servirem… Um filme… Felizmente a caminhada começou aí… Um novato viu-me atrapalhado e perguntou-me se eu era novato… Pois era…Caloiro novamente, mas agora num país estrangeiro… Convidou-me simpaticamente a jantar na mesa dele com ele e uma amiga que também estavam a chegar pelo 1º dia a Madrid… Ambos do País Basco.
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Falei das minhas preocupações, descobri que deveria ter a minha roup marcada para a lavandaria com um número que era o meu e nem sabia e pensei q tava lixado… Ele foi simpático e deu-me um marcador que guardei o ano todo e com o qual marquei parte da roupa até voltar a Portugal e a mamã coser como cosiam as mamãs de muitos deles.lol.
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Fomos passear pela cidade universitária, ver as novatadas ( sim, nos colégios há praxe e bem dura) de outros colégios, pois o nosso era o único de Madrid que era anti novatadas.
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Havia um conceito também engraçado… La cartelera. Um local mesmo à saída do comedor aonde almoçávamos e jantávamos e junto das salas de estudo. Nele podíamos escrever notas, escrever textos, colocar cortes de jornal etc, tudo o que quiséssemos desde que nos identificássemos com o nosso nome e número da habitação.
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Era um espaço de democracia e liberdade para muitos se queixaram de coisas que não gostavam, de fazer avisos sobre eventos do colégio como apoiar os jogos das equipas, festas, e servia muitas vezes como centro de polémicas entre grupos rivais que esgrimiam argumentos via cartelera ou até de confrontações entre colegiais e a direcção do Colégio….Servia de protesto contra medidas que os colegiais não estavam de acordo.

Para isso havia uma mesa colegial, um órgão para o qual todos os anos se elegiam 3 pessoas de todo o colégio e que dava bastante popularalidade, mais do que poder de facto. Porque na prática era a direcção que tomava as decisões. Mas as assembleias colegiais eram uma espécie de RGA, todos se reuniam para debater assuntos importantes para o colégio, os ânimos também se exaltavam , e tinha a particularidade dos directores do colégio estarem sempre presentes para ausculutar o pensamento dos colegiais.
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Viver num Colegio Mayor é toda uma experiência em si mesma… É aprender a adaptarmo-nos a pessoas que pensam de forma diferente, saber conciliar, saber aproveitar as oportunidades que temos de fazer desporto, de nos divertirmos de fazer amigos, de aprender mais sobre a cultura de cada região de Espanha, pois nos colégios havia gente de toda a parte de Espanha que ia estudar para Madrid. São espaços de desenvolviimento social e cultural e que nos faz crescer como seres humanos. Prepara-nos para a vida lá fora, fora das paredes do colégio.
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Em Madrid a lógica é diferente… Cá em Portugal os nossos amigos são geralmente aqueles da nossa faculdade, é lá que passamos mais tempo… Em Madrid não é bem assim. As universidades são enormes, as faculdades têm várias turmas, com vários professores diferentes e o horário acaba por ser algo flexível.
Há saídas com o pessoal da turma da faculdade e até se pode fazer um amigo ou outro…Mas os verdadeiros amigos, aqueles que são quase como família, esses são aqueles que vivem connosco… São os do nosso colégio que defendemos acima de qualquer outro. Seja nas competições desportivas que são autênticos espectáculos e com assistências que fariam corar de vergonha muitas assistências de jogos de equipas de futebol de divisões secundárias do nosso país…



Mesmo não sendo todos do mesmo partido, do mesmo clube, nem tendo todos a mesma capacidade de aceitar as diferenças e mesmo não sendo todos amigos de todos, há espírito colegial… Somos do mesmo colégio, é como uma família. Há regras de convivência que são respeitadas. Os horários de comer são sempre todos à mesma hora, todos comemos juntos e por isso vamos conhecendo outras pessoas nem que seja à hora de comer… Regras de boa educação como servir os outros antes de nos servirmos e de partilhar são seguidas sem pensar sequer.
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Depois há os clubes…Desde clube de cinema, a de Direitos Humanos, de cultura japonesa, de informática etc… Tudo formas de fazer actividades em conjunto e de conhecermos outras pessoas.
....(cont)
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Blackbird


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Original dos Beatles na voz angelical de Sarah McLachlan...
Uma música que toca bem fundo na nossa alma...Sempre que a escuto é como se o mundo parasse por 2 minutos para relaxar e depois voltar a si...