sábado, 26 de junho de 2010

Thank you Michael Jakckson. You will always be the true and only Kinf of Pop...



Fez ontem um ano que desapareceu o Rei da Pop. Justamente, foi esse o motivo que, há um ano, me fez ter o impulso de voltar a dar vida a este espaço...Na época, fiquei triste, chocado e revoltado pela forma como alguém tão genial como o M.J. foi vetado ao esquecimento e à chacota e, o ter desaparecido meses antes de ter direito ao seu último acto, a despedida como sempre havia merecido...num palco. The last call...
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Em criança sentiste que com a tua voz podias tocar o céu, que o tempo voava, enquanto no pára brisas ficavam os contos, as fadas e as horas passadas na terra a brincar com aigos que não pudeste ter...Deixaste de lado tesouros e aventuras mil, para seguires o rumo que o teu dom te apontava...Como um cometa, foste escolhido para brihar e fazer o mundo parar para te admirar à tua passagem, mas sem que tu tenhas tido o direito de poderes estar do lado de cá...

Nunca te foi permitido lidares com a normalidade...Como tal seria possível..? A tua missão era encantar, deixar de lado momentos mágicos que poderias viver, para com a força da tua imaginação, do teu coração puro e da tua incrível habilidade de sonhar, como uma criança eterna que se deslumbra com as pequenas coisas do dia a dia, como se tudo visse pela 1ª vez., nos unir a causas, nos acompanhar nas angústias, no acreditar que existe um espaço em que o real e a fantasia podem-se encontrar e casar.
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Cores brilhantes e apaixonantes, passos de dança que nos remetiam para um universo paralelo em que era possível o homem voar.
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Não foste apenas um entertainer. Se quisesses ter sido apenas bailarino,serias o melhor, como cantor também...Mas tu eras muito mais que isso. Isso diferencia alguém brilhante de um ícone. Tu geravas idolatria, paixões fortes fossem elas de ódio ou amor.
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O Mundo nunca te agradeceu como devia, o facto de teres abdicado da tua infância, da tua condição de mero mortal, para tentares, por mais pedras que te atirassem, demonstrar-nos como não deve haver barreiras entre nós, como não devemos deixar de lutar sem armas, para que o amor seja a palavra que deva prevalecer no imginário de todos, independentemente da cor, da condição social, do sexo.
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As tuas músicas e a tua voz ajudaram uma série de pessoas...tantas ou mais que aquelas milhares que ajudaste com os enormes donativos que sempre foste dando às mais variadas instituições, nem que para isso tivesses que abdicar de grande parte da fortuna que ias amealhando...
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Por mais que o mundo dos adultos te desiludisse, e te fizesse cada vez mais querer viver preso na infância e nunca ter que crescer, resguardando-te na "tua terra do nunca", na verdade nunca deixaste, de mesmo assim te preocupares com esse Mundo que por um lado te havia colocado no topo e por  outro te descartava e hostilizava quando era isso o mais conveniente a fazer... Só tu podes saber o que era não poder ter direito a pequenos prazeres, como o ir às compras sozinhos, ir a um cinema, passear pela rua sozinho...Apesar de todas as acusações que te foram derrotando, a verdade é que nunca perdeste aquele olhar inocente e sonhador, nunca deixaste de ser o  Peter Pan que tanto sonhavas, no teu coração.
Talvez por não veres a maldade, te deixaste ficar mais exposto para que te tentassem destruir...Mesmo assim, sempre me espantou o facto de na verdade, com todos os motivos para teres ódio ou angústia, nunca deixares de querer espalhar uma mensagem de amor. De te preocupares por fazer deste Mundo que tanto te oprimia, um Mundo melhor para todos nós.
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Lançaste a mensagem de que deveriamos salvar este Mundo e fizeste do teu dom um meio para fazeres a tua parte e inspirares os outros a fazerem o mesmo... Para além disso, deste a todos que tiveram o privilégio de acompanhar a tua obra, a capacidade de nos transportares para uma outra realidade...aquele local ideal que criaste...O Mundo visto pelos olhos de uma criança, puro e sem maldade...Com a simplicidade desarmante de simplesmente  acreditar que podemos alcançar os nossos maiores sonhos se tivermos a força de acreditar...que podemos criar uma corrente de amor, e assim,  nunca estaremos verdadeiramente sós... se formos muitos a dar as mãos, podemos de facto, fazer deste mundo um local melhor para todos nós.


Obrigado por  teres feito como que nunca faltasse encanto na minha infância, por teres aguçado com a tua música a minha sensibilidade e a minha habilidade para sonhar...


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Senta-te aí



Senta-te aí - Rio Grande

Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado. aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens que ser tu, com o teu próprio punho
Era isso o que te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade





segunda-feira, 21 de junho de 2010

The Butterfly Effect




"o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo"

 
Este é o efeito borboleta que integra a teoria do Caos de Edward Lorenz

É também o título de um interessante filme.

Ashton Kutcher um actor mais conhecido pela sua aparência física e participações em comédias, e mais recentemente por ser marido da Demi Moore (esta sim uma grande actriz, já consolidada no meio ), tem aqui um trabalho bastante interessante.

Um guião interessante, um bom argumento que parte de uma ideia que me assalta várias vezes e que, se nos detivermos a pensar nela, nos deixará certamente intrigados.

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Evan é um jovem que não vive satisfeito com a vida que tem, ficou marcado por determinados eventos passados, que alteraram a sua vida e das pessoas que o rodeiam.

Evan desde miúdo sempre foi dotado de uma grande sensibilidade e de uma visão dele próprio e dos outros muito peculiar. Expunha os seus pensamentos e partilhava as experiências que ia vivendo com o seu pequeno diário. Diário que ao longo de anos foi acompanhando o seu crescimento, os acontecimentos que moldaram o desenvolvimento da sua personalidade e o trilho que tomou para a sua vida.

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Evan vive num meio pequeno onde se desenvolve toda a sua infância e desde tenra idade sofre de pequenos desmaios, em que ele apaga e acorda estando noutro sítio qualquer e sem saber o que se passou. Todos esses momentos ele regista no seu diário.

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Passado vários anos, esses desmaios e espaços brancos na sua memoria vão deixando de acontecer, até ao dia em que ele relê os seus diários e volta a ter o mesmo problema...Só que desta vez, ele consegue recuar no tempo e voltar aos momentos chave que ele descreve no seu diário e reviver tudo aquilo que aconteceu…Isso gera uma série de descobertas sobre o seu passado, das pessoas que lhe eram importantes e o reavivar sentimentos de culpa, revolta ou de medo que nunca tinha sabido encaixar, e encontrando respostas a uma série de acontecimentos que sempre haviam sido um mistério mal resolvido na sua vida e na dos seus amigos.

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Rapidamente se coloca a questão… E se pudéssemos voltar atrás no tempo? Não uma viagem no tempo, como meros observadores…Voltar de facto, a um momento exacto em que sentimos que a nossa vida poderia ter tido um rumo melhor ,se ao invés de virarmos esquerda virássemos à direita, se em vez de silêncio, tivéssemos uma palavra para poder alterar todo o nosso futuro…

Há momentos definidores. Momentos, que podem ficar guardados no nosso diário de memórias, que ficaram marcados de uma determinada forma, mas porque na altura não tínhamos o discernimento de o entender, e assim ficamos com a memória não da realidade que presenciamos, mas a realidade que recriamos na nossa mente, a forma como a perspectivamos e como a quisemos arrumar na nossa memória sensitiva…

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Ter essa capacidade de voltar ao passado e de o reviver e alterar? Será uma dádiva? Poderá tornar-se uma maldição? Ter a possibilidade de melhorar o nosso presente, alterando a forma como determinado evento no nosso passado ocorreu.

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Voltando, poderemos salvar alguém que ficou para trás? Poderemos encontrar a nossa verdade interior? A explicação para a forma como hoje nos limita e a raíz das nossas fraquezas e medos?

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Aqui entronca o efeito borboleta…Evan descobrirá, que uma pequenina alteração pode ter um efeito benéfico para ele, mas catastrófico para outras pessoas…Algo na nossa vida pode melhorar, mas ao mesmo tempo e sem nexo causal directo, uma série de coisas podem ficar piores para nós e para todos.Ao alterar um dado evento, alteramo-nos não só a nós como a todos os outros à nossa volta. Não é possível ter tudo, nem é possível fazer com que no fim todos saiam a ganhar…pelo caminho há sempre algo que tem que se perder, há algo que temos que aprender a deixar ficar para trás..Poderemos resgatarmo-nos ? Sabendo o que sabemos hoje, poderíamos voltar atrás e fazer as coisas de forma diferente, para melhor? Será que se alterássemos para melhor, isso se reflectiria num presente e futuros melhores? Afinal, não é possível mudarmos o passado sem mudar aquilo que hoje somos. As marcas, as cicatrizes, as pessoas, os momentos, todos ganham uma certa dimensão porque tiveram uma encadeamento de acontecimentos ordenados que nos encaminharam para determinadas janelas ou portas, para determinadas relações, para determinadas formas de sentir e pensar…E ao fazê-lo, uma série de vidas à nossa volta também se alteraram, interagiram connosco, existe toda uma alteração cósmica se interrompermos esse curso temporal.

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Daí que uma pequena alteração no passado, que hoje parece que nos resolveria todos os problemas, poderia desencadear uma série de alterações no nosso percurso, que no limite poderia até levar-nos a um estado ainda pior, calamitoso até, perigoso para nós e para os outros que fizeram e fazem parte da nossa vida.

Se mudamos um momento, podemos alterar tudo. Para o bem e para o mal. Não podemos eliminar as variantes que compôe a existência. Elas estarão sempre presentes a cada mudança. Não é possível mudar uma pequena coisa no nosso passado, sem acabarmos a alterar tudo.

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Evan debate-se com esse problema. Irá ainda tempo de salvar quem ficou para trás? Para isso terá que abdicar de si próprio ou terá que sacrificar a felicidade de outras pessoas para poder de forma egoísta ter uma vida melhor? Ao reviver o passado e ao alterá-lo, não alterará toda uma ordem cósmica que apesar de parecer aleatória e irracional, tem no fundo uma ordem, que fica totalmente abalada, podendo originar desfechos vários e muitos deles catastróficos?

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Um filme surpreendente, que nos faz pensar…em nós, naquelas vezes que desejamos, tal como Evan voltar atrás para alterar uma pequena coisa no nosso passado que sabemos que poderia influir o nosso futuro para melhor…A ideia de eterno retorno, de poder emendar o erro, de poder viajar no tempo, de poder dispor de uma 2ª oportunidade, sabendo-se que muitas vezes a vida nos coloca perante situações delicadas em fases da nossa vida que não temos a capacidade ou maturidade para fazer o melhor julgamento…A ideia de que não temos hipótese de remendar o que fizemos, de que não nos é dada a margem de aprendizagem. Que pelo caminho, pelos nossos actos e omissões, muita gente se perde, muita gente sofre e nós próprios podemo-nos alterar e perder pelo caminho.

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Será esse impulso e essa ilusão de poder dar uma 2ª oportunidade demasiado perigosa? O que temos que perder do que hoje somos para poder mudar o passado? Que danos colaterais resultarão disso? Ou será que simplesmente, andaríamos de mudança em mudança até concluirmos que não podemos mudar aquilo que já foi e passou sem nos perdermos nesse caminho de regresso…e, ao mesmo tempo, corrermos o risco de perder alguém no caminho. Concluir que afinal pode ser mais o que se perde, que a ilusão do que se pode ganhar…

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Um filme intrigante, com um argumento arrojado, e que certamente não deixará ninguém que o assista, indiferente à sua temática. Kutcher tem aqui, talvez, uma das suas interpretações mais sólidas e sérias de toda a sua carreira. Ele é o grande nome numa produção que não apostou em actores sonantes ( destaco a boa representação de Amy Smart) para o elenco, mas que acabou por se tornar um pequeno filme de culto.

Destaco o surpreendente e drástico final…Na versão em dvd é dada a opção para 3 finais alternativos. Um mais drástico que foi o que saiu nos cinemas, um mais moderado e uma versão mais do estilo “happy ending”…

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" Some people want to forget the past, some people want to change it..."



Ps- Destaque para a grande banda sonora. “Stop crying your heart out” dos Oasis, encaixa que nem uma luva no conceito desta história.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Nocturno...




E eu ponho-me a pensar... Quanta saudade
Das ilusões e risos que em ti pus!
Traças em mim os braços duma cruz,
Neles pregaste a minha mocidade!

Minh'alma que eu te dei, cheia de mágoas,
É nesta noite o nenúfar de um lago
Estendendo as asas brancas sobre as águas!

Poisa as mãos nos meus olhos, com carinho,
Fecha-os num beijo dolorido e vago...
E deixa-me chorar devagarinho...


 
Florbela Espanca



sábado, 29 de maio de 2010

Hedonism



I hope you're feeling happy now
I see you feel no pain at all it seems
I wonder what you're doin' now
I wonder if you think of me at all
Do you still play the same moves now
Or are those special moods
For someone else
I hope you're feeling happy now.

Just because you feel good
Doesn't make you right (oh no)
Just because you feel good
Still want you here tonight

Does laughter still discover you
I see through all those smiles
That look so right
Do you still have the same friends now
To smoke away your
Problems and your life
Oh how do you remember
Me the one that made
You laugh until you cried
I hope you're feeling happy now

Just because you feel good
Doesn't make you right (oh no)
Just because you feel good
Still want you here tonight

Solo

Just because you feel good
Doesn't make you right (oh no)
Just because you feel good
Still want you here tonight

I wonder what you're doing now
I hope you're feeling happy now
I wonder what you're doing now
I hope you're feeling happy now

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Estou além"


A letra e a composição são súblimes...Uma letra que simplesmente não me deixa sequer a coragem de tecer grandes comentários...Genial. Um homem muito à frente do seu tempo,ainda hoje estaria muito à frente deste tempo, um verdadeiro gênio. Só os verdadeiros predistinados são capazes de escrever algo que passem os anos que passem é bastante actual e transversal. Consegue ter o albúm mais marcante ou dos mais marcantes da década de 80 e mais tarde, pegando e músicas que ele tinha escrito há década atrás, consegue ser ainda em na década de 2000 a 2010 o album da década e surpreender tudo e todos. Felizmente existiu um projecto chamado Humanos. Dos melhores projectos musicais da história da música portuguesa. Não se limitaram como outros a partir do príncipio que as pessoas não escutariam Variações em toda a sua originalidade e que necessitaria de outra roupagem...Mantiveram o seu som, as suas ideias e graças a eles os temas que ficaram por ser lançados como "gelado de verão" "rugas"  ou  "mudar de vida" conhecessem a luz do dia...Para que todas as gerações tivessem a oportunidade de admirar um verdadeiro gênio, dos maiores compositores que algum dia este país conheceu ou conhecerá. Intemporal e genial, assim considero António Variações.



Ir além

Autoria: António Variações ; versão do projecto Humanos ( dos melhores projectos musicais de sempre na história da música portuguesa)

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde

Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou

domingo, 9 de maio de 2010

"Se houver um Anjo da Guarda"

Sou fã do Pedro Abrunhosa. Admiro a forma como escreve canções, a obsessão pela palavra certa, na entoação certa...Um bocado na tradição do que deve ser um canta-autor...Muitos questionam a sua capacidade como cantor...ele nunca ambicionou ser um cantor, nem as suas músicas são pensadas para uma grande voz...Uma grande voz é fácil de se encontrar em qualquer programa de talentos...é fácil atingir notas, imitar, ir atrás do que já alguém fez...Difícil é criar, é ter uma densidade emocional 1º e depois ter a capacidade de conseguir encontrar as palavras e os sons certos...Daí, que não goste muito de ver outras pessoas a interpretar temas do Abrunhosa...São muito ele...A palavra assume um papel primordial, e mais que nunca a interpretação., é quase tudo...Ele melhor que ninguém sabe entoar a palavra no momento certo, sendo mais sussurada de forma suave, ou irónica, ou quase gritada, ou simplesmente despida...
1994. Ano do 1º album do Pedro Abrunhosa, tinha uns 10 anos, e logo aí, comprei o cd e fiquei fã...Uma sonoridade inovadora, impragnada de soul, de jazz e com uma lírica e postura arrojadas para a época.
Cresci com os seus albuns...Sabendo sempre que depois de cada um me esperavam dois anos( mais ou menos o tempo que ele demora a lançar novo album) para me poder deliciar com novas letras, novos sons, e com a capacidade de sempre me surpreender de album para album...
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Da mesma forma que a sua composição evoluiu tendo em conta a sua experiência pessoal, da euforia do Viagens, até às nuvens cor de mel do seu "tempo", passando por momentos mais íntimos, profundos com o "momento"... Enquanto ele crescia musicalmente e evoluía e os albuns, cada qual, com um título de uma palavra só que espelhava bem toda a mensagem do album, eu também ia crescendo...absorvendo-me na sua música, nas suas palavras...Muitos momentos passados ao som das suas músicas, muitas noites sem dormir em que a sua música me acompanhava, muitos momentos ternos de pura felicidade paa recordar...muitos por de sol, muitas viagens dentro da viagem, muitos rostos e lugares para recordar...Muitas partes de mim identificáveis em cada album, em cada momento em que o escutei...Muitas músicas que pela sua qualidade, pela escrita de alguém que deixa o óbvio e o caminho fácil na porta, e trabalha de forma a que a inspiração seja um complemento do trabalho, me marcaram e marcam...Também eu consigo ao longo destes quase 16 anos de carreira, me identificar em várias músicas, e ver várias camadas da pessoa que fui e evoluíu e trilhou um caminho até ser o que hoje sou...
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Este "longe" surgiu, como sempre, gerou muita expectativa...Pela 1ª vez não o comprei logo no 1º dia que saiu ou nos primeiros, como sempre costumei fazer...Lembro-me muitas vezes do momento em que comprei cada álbum, da forma como me apaixonei por cada música em concreto, como as fui descobrindo, desvelando, e como projectava grande parte de sentimentos e contradições para muita das suas palavras...Quem consegue escrever algo, que inspira os demais, é de facto, alguém com um dom especial. A forma como depois de as escrever, sabe que o seu significado passa a ser de milhares de pessoas, como se a sua música  e as suas palavras ganhassem vida própria, sendo ele apenas o veículo para que elas possam chegar às pessoas, influência.las, seja na crítica social, seja para alertar, seja simplesmente para criar momentos, "instantes irrepetíveis", na vida de cada um...Uma banda sonora vasta com os seus sons, tem-me acompanhado...Já são vários sons que fazem parte de mim, daquilo que sou, do que escrevo, do que sinto, do que vejo por detrás das palavras,dos gestos, das pessoas...
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Tudo para apresentar a música que mais me tocou neste novo álbum...Extraordinária a forma como Pedro Abrunhosa se reinventa com uma nova banda, os fabulosos: Comité Caviar, como ele segue a máxima do album e vai para longe para se encontrar...Como não tem medo de deixar o passado de glórias ficar lá atrás e partir para novos sons, novos desafios, não ficar cristalizado na glória de figura institucionalizada da cultura portuguesa.
Neste album ele segue mesmo a máxima de "fazer o que ainda não foi feito", com a certeza de que ainda tem um longo caminho a percorrer e que por vezes é necessário reinventarmo-nos,...Não deixa de ser curioso, que quando há essa necessidade e o fazemos, muitas vezes voltamos sempre à base...ao início de tudo, àquilo que no início nos motivava e ao mais puro que tinhamos...agora com outra escola, outra maturidade, mas em caso de dúvidas, voltamos sempre à " casa" dos nossos valores, daquilo que nos forma, que temos de mais autêntico, por mais mudanças e evoluções que conheçamos.
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No caso do Pedro,ele diz que em caso de dúvida, deve voltar à raíz de tudo, que para ele são e sempre serão os Blues...Não deixa de ser engraçado, este novo album corta com album intimista e talvez o mais consagrado e conseguido de sempre,que foi o "momento", corta com aquele ar mais fatalista, parte das sombras e não tem medo de se reconciliar com a vida, com a luz, com o pó da estrada que ainda falta caminhar...Com isso cria uma nova banda, um estilo inovador, deixa um pouco de lado o piano e deixa-se levar pelas guitarras, por outro tipo de sonoridade, sem nunca deixar de parte aquelas letras riquíssimas.
Considero-o a pessoa que melhor escrever música em Portugal. Uma personalidade com opinião, coisa que rareia nos dias que correm...Não só escreve bem, musicalmente é muito completo, como ainda é uma pessoa viajada, com visão global, que não se esconde das suas convicções, nem tem medo de "cair", porque sabe que só cai quem tenta, quem não tem medo de enfrentar o sucesso de arriscar.
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Neste novo album, tal como se dizia há uns anos em relação à coca cola, "1º estranha-se,depois entranha-se", fiquei receoso quando soube que ele tinha assumido o controlo total, de escrever,compor e produzir,deixando de lado a pareceria de sucesso com o Mário Barreiros.
No entanto, após escutar mesmo o album, foi impossível não ficar rendido a uma série de sons, de palavras...E hoje em dia é raro não o ouvir todos os dias...Mas há uma música que me tocou mais que outras, que me deixou sem palavras, que mais assumi como "minha". Aquela que mais me arrepia, que mais me faz viajar sem sair do lugar. Esse é o pormenor nas sas músicas...eu consigo viajar  ao som da sua música,entre lugares,pessoas, momentos, e ele consegue através de várias metáforas deixar uma série de mensagens e de sentimentos que já sentimos várias vezes...Muito descritivo, eu enquanto escuto as palavras era como se as observasse, como se acompanhasse as palavras com a minha imaginação...E é incrível, como tantas músicas me conseguem fazer viajar para tão longe no espaço e no tempo e, ao mesmo tempo, por estranho que possa parecer, deixar-me tão próximo de mim mesmo...
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Sem mais palavras,deixo esta música e estas palavras que não me têm saído da cabeça....Absolutamente brilhante...E que grande voz para fazer um dueto fantástico:

"Se houver um Anjo da Guarda"



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Um homem contou-me
Que da montanha
Se toca o céu,
Que se encontrou ao subi-la
Mas ao descê-la
Se perdeu.
Viu rastos de cobra
E pegadas de leão:
"Esta vida não sobra
Quando se olha só para o chão!"

E tentou fugir do trilho,
Beijou o tempo como a um filho,
Acordou numa alvorada,
Já sem nada pr'a esconder
E então falou assim:

"Se houver
Um Anjo da Guarda
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".

Outro homem contou-me
Que da cidade
Se vê o mundo,
Que é tão doce o desejo,
Que nenhum beijo
É profundo.
Viu escadas de ouro
E telhados de rubi,
Pensou que o maior tesouro
É cada qual saber de si.

E tentou fugir da sombra,
Dizer à luz que não se esconda,
Correu as ruas, uma a uma,
Já sem nada pr'a perder
E então gritou assim:

"Se houver
Um Anjo da Guarda,
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".

"Se houver
Um Anjo da Guarda,
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
Porque é tão só estar só no fim.

"Se houver
Um Anjo da Guarda,
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
Porque é tão só estar só no fim