quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Michael J. Fox: Um incurável optimista

Michael J. Fox foi um ídolo nos anos 80 e ínicio dos 90 dos teenagers da época.
Participou em grandes blockbusters como Regresso ao Futuro, e na série de enorme sucesso Family ties onde interepretava o papel de Alex, o filho mais velho de uma família com pais democratas que haviam sido hippys em jovens, irmão da bela e doce Mallory que tinha tanto de bom coração como de pouco de inteligência, e ainda uma série de outras personagens como o seu amigo Skippy entre outros.~
Uma série familiar qe marcou gerações, provavelmente a minha série favorita de todos os tempos...Era capaz de ver episódios sem parar o dia todo.A personagem de Michael J. Fox, a sua obsessão pelo capitalismo, o seu apurado sentido de humor e carisma, prendiam qualquer um ao ecrâ. Era impagável.
Simplesmente adoro esta série. Em Portugal com o título de "quem sai aos seus"
Michael J. Fox que em infância sempre tinha sido gozado pela sua baixa estatura, nesses anos, com o sucesso de Regresso ao Futuro viu-se tornar inclusive, o boy next door de uma série de adolescentes que o valorizaram.
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Um actor muito promissor, mas que depois desses dois grandes sucessos, ainda encontrava o seu espaço na indústria, através de comédias, e tentando progressivamente fugir dos papéis de adolescente que fazia com mestria, mesmo já tendo uma idade bem superior...mantinha aquele ar cool próprios dessa época, e feições que por mais anos que passasem o faziam sempre parecer mais novo, tinha um brilho no olhar bastante jovem e algo malandro. Há quem diga que era o rosto dos jovens americanos da época.
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Admirava-o bastante, não só pelo seu talento, mas também, por ter um contacto muito próximo com os fãs,sempre foi terra a terra, e até recebia fãs em sua casa,tinha sempre as portas abertas da sua propriedade para quem o quisesse visitar. Algo que mudou radicalemnte,quando reparou que nem todos tinham a sua índole e recebeu algumas ameaças, algo bastante comum entre actores que se começam a destacar muito em Hollywood.
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Era fã mesmo, adorei o Regresso ao Futuro em miúdo, tal como ainda hoje gosto de rever os filmes e essa brilhante série.
Michael J. Fox, era admirado por muitos,por ser uma pessoa muito luminosa e esclarecida, sem grandes vedetismos nem os excessos característicos de quem se viu subitamente a lidar com a fama... O único que teve,foi o alcool,mas também essa batalhar ele soube superar sem grandes alaridos.
Apaixonou-se pela bela actirz Tracy Poollan, com quem fez par romântico no Family Ties, casou,teve filhos, e sempre teve uma aparição´pública e relação com os media , bastante saudável. Nunca se viu envolvido em escandalos nem polémicas. Sempre foi um exemplo na forma como defendeu várias causas, e como sempre foi um pai e um marido dedicado, coisa rara em Hollywood.
Nesse processo de progressão na carreira,foi quando Michael já estava a trabalhar numa série de sucesso na Tv que lhe foi diagnosticado Parkinson.
Uma notícia devastadora, para quem se havia habituado a ver um Michael J. Fox sempre muito divertido, muito saudável em tudo o que fazia,ainda mantinha aquele ar tão jovem de alguém que havia saído da adolescência, e era dificil imaginá-lo com Parkinson...
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Como isso o afectou?Destruiu a sua carreira?A família? Alterou-o como pessoa?
Não.
Ele prova uma teoria que eu acredito. Temos uma pessoa naturalmente alegre optimista e outra naturalmente depressiva e triste. O 1º por causa de um acidente fica preso a uma cadeira de rodas, o 2º ganha o euromilhões. Até que ponto isso mudará a vida de um e de outro?
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Ao contrário do que se possa pensar,não mudará assim muito. O 1º mesmo com essa adversidade continuará a ser optimista e tudo fará para vencer as adversidades e conseguirá encvontrar realização e felicidade naquilo que pode ter, o 2º vai continuar a ser uma pessoa triste e depressiva mesmo que milionário,sempre se continuará aqueixar, e sempre se continuará a achar incompleto,insastifeito.
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O mesmo se aplica a se um idiota ganhar um euromilhões e uma boa pessoa ficar em cadeira de rodas. A boa pessoa continuará boa pessoa, o idiota continuará idiota e apenas um idiota milionário.
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M. J. Fox,sempre foi uma pessoa ambiciosa, sonhadora, persistente e que lutava por tudo o que acreditava.
Quem achava que isto o iria destruir,enganou-se.,,,Passados uns 8 anos do diagnóstico,cada vez mais os sintomas da doença são mais fortes,e não há dúvidas que ele deve sofrer bastante todos os dias...mas o que fez ele ? Parou?
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Não, mesmo já com a doença passou de actor para realizador da mesma série, não podia representar,então deu voz a um filme de animação (Stuart Little). Dedicou-se a ajudar pessoas nas mesmas condições e com outras doenças através da sua fundação.
É um activista e envolveu-se em campanhas políticas a favor das células estaminais.
Deu a cara e lutou pela aposta na ciência como forma de ajudar a resolver problemas de saúde dos mais jovens e mais velhos,fez donativos de milhares e milhares de dólares. Continuou a ser uma pessoa simpática,afável, de bem com a vida como sempre foi, e continua a inspirar milhares de pessoas, dando um exemplo de como se podem vencer as adversidades, sem deixar de ser grato e amar tudo aquilo que a vida nos dá.
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Mantém a sua família unida, a linda esposa,o seu amor de sempre, que ficou nos bons e maus momentos e continua a ser um pai feliz e babado,mesmo com algumas limitações.
Não perdeu o bom humor também. Em entrevistas, ao falar da sua doença, diz que o segredo para ultrapassar os maus momentos,foi em 1º lugar deixar a vaidade de lado, deixar de pensar naquilo que já tinha sido, e concentrar-se no que podia fazer, com um sorriso nos lábios afirmava ao jornalista que podia parecer estranho agora, mas que nos velhos tempos chegou a ter várias adolescentes a terem o seu poster no quarto.
Fez do seu lema ajudar os outros, ser um bom pai, um bom marido,tentar fazer a diferença para as pessoas,sempre que pode.
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Nunca procurou a pena de ninguém, ou compaixão, sempre se viu como uma pessoa igual às outras,com as limitações decorrentes do Parkinson,mas que sente um enorme prazer e felicidade em tudo o que faz.
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O título do seu último livro diz bastante da sua personalidade : As aventuras de un incurável optimista.
Actor,realizador,marido,pai,activista mas acima de tudo, um incurável optimista.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A gente vai continuar
Rendo aqui a minha homenagem ao gênio Jorge Palma.
Para mim é a par de Carlos Tê e Pedro Abrunhosa, quem melhor escreve canções em Portugal.
O derradeiro boémio da música portuguesa. Viajou por toda a Europa de mochila e guitarra às costas, aprimorou e ensaiou alguns dos seus melhores temas em Paris, tocando no Metro, e vivendo da sua arte...Cometeu excesssos,a sua vida foi feita de muitas histórias, muita loucura. Jorge Palma sempre foi um espírito livre, como todos ôs grandes gênios, sofreu um bocado com os seus excessos, e teve sempre um lado escuro que o acompanhou ao longo da vida, servindo-se dele para se perder, mas também para criar, e para conseguir dar a volta por cima das adversidades.
Falamos de um gênio. Um dos meus músicos de referência, letras e música absolutamente inspiradoras como Terra dos Sonhos ou o Bairro do Amor" . Uma obra que vale a pena ser conhecida.
Fica uma certeza:Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar...
Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Para mim é a par de Carlos Tê e Pedro Abrunhosa, quem melhor escreve canções em Portugal.
O derradeiro boémio da música portuguesa. Viajou por toda a Europa de mochila e guitarra às costas, aprimorou e ensaiou alguns dos seus melhores temas em Paris, tocando no Metro, e vivendo da sua arte...Cometeu excesssos,a sua vida foi feita de muitas histórias, muita loucura. Jorge Palma sempre foi um espírito livre, como todos ôs grandes gênios, sofreu um bocado com os seus excessos, e teve sempre um lado escuro que o acompanhou ao longo da vida, servindo-se dele para se perder, mas também para criar, e para conseguir dar a volta por cima das adversidades.
Falamos de um gênio. Um dos meus músicos de referência, letras e música absolutamente inspiradoras como Terra dos Sonhos ou o Bairro do Amor" . Uma obra que vale a pena ser conhecida.
Fica uma certeza:Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar...
Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Cheers
Já não se fazem séries assim...Claro que agora há mais meios, séries com grandes actores, com grandes argumentistas,histórias complexas, cada vez mais são séries que tentam colar-se à indústria cinematográfica na sua concepção e método...
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Apesar disso, eu prefiro as séries dos anos 80. Estas continuam a ser as séries que fazem parte do meu imaginário...Não tinham intenção de ser demasiado pesadas, complexas, apenas acompanhar as pessoas, dar-lhe um pouco de ânimo,devolver-lhes um sorriso ao final de um dia de trabalho...Séries de carácter mais familiar, na época em que ainda se via televisão em família no horário nobre...Numa época em que não havia internet para sacar séries atrás de séries e ver no pc...Neste tempos,era um pequeno ritual, sabíamos que era aquela hora específica, que nos sentaríamos no nosso sofá a ver o que esse novo episódio nos traria. Personagens que entravam pela casa a dentro, e que com a sua simplicidade, nos marcavam e depois era como se as conhecessemos desde sempre...
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Séries que duravam anos, e que por isso, quando desapareciam deixavam um vazio enorme nas pessoas, como se perdessemos a visita de amigos habituais...Eram naifs? Eram, mas representavam se calhar uma época melhor... Imperavam outros valores que não o consumo imediato, individualismo, e em que se dava valor a momentos simples.
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Séries que tinham por objectivo,dar conforto às pessoas, e capaz de proporcionar bons momentos em frente ao ecrã mesmo naqueles dias em que nem tudo nos havia corrido bem...Capaz de proporcionar aquilo a que chamo de "felicidade televisiva":).
Cheers era assim. Um local familiar, simples, no qual, pessoas de vários quadrantes sociais se encontravam de forma habitual, um ritual em que todos partilhavam momentos, histórias (umas inventadas ,outras sérias), conversas, sorrisos,tristezas,mas tudo sempre com bom humor.
Um local familiar, que valia a pena voltar, afinal ,é bom termos um local em que toda a a gente sabe o nosso nome....:
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Apesar disso, eu prefiro as séries dos anos 80. Estas continuam a ser as séries que fazem parte do meu imaginário...Não tinham intenção de ser demasiado pesadas, complexas, apenas acompanhar as pessoas, dar-lhe um pouco de ânimo,devolver-lhes um sorriso ao final de um dia de trabalho...Séries de carácter mais familiar, na época em que ainda se via televisão em família no horário nobre...Numa época em que não havia internet para sacar séries atrás de séries e ver no pc...Neste tempos,era um pequeno ritual, sabíamos que era aquela hora específica, que nos sentaríamos no nosso sofá a ver o que esse novo episódio nos traria. Personagens que entravam pela casa a dentro, e que com a sua simplicidade, nos marcavam e depois era como se as conhecessemos desde sempre...
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Séries que duravam anos, e que por isso, quando desapareciam deixavam um vazio enorme nas pessoas, como se perdessemos a visita de amigos habituais...Eram naifs? Eram, mas representavam se calhar uma época melhor... Imperavam outros valores que não o consumo imediato, individualismo, e em que se dava valor a momentos simples.
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Séries que tinham por objectivo,dar conforto às pessoas, e capaz de proporcionar bons momentos em frente ao ecrã mesmo naqueles dias em que nem tudo nos havia corrido bem...Capaz de proporcionar aquilo a que chamo de "felicidade televisiva":).
Cheers era assim. Um local familiar, simples, no qual, pessoas de vários quadrantes sociais se encontravam de forma habitual, um ritual em que todos partilhavam momentos, histórias (umas inventadas ,outras sérias), conversas, sorrisos,tristezas,mas tudo sempre com bom humor.
Um local familiar, que valia a pena voltar, afinal ,é bom termos um local em que toda a a gente sabe o nosso nome....:
domingo, 13 de dezembro de 2009
What a wonderful world
see trees of green, red roses too
I see them bloom, for me and you
And I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue, and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world
The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces, of people going by
I see friends shaking hands, sayin' "how do you do?"
They're really sayin' "I love you"
I hear babies cryin', I watch them grow
They'll learn much more, than I'll ever know
And I think to myself, what a wonderful world
Yes I think to myself, what a wonderful world ....
domingo, 29 de novembro de 2009
Sweet November...Only time...
Who can say where the road goes,
Where the day flows?
Only time...
And who can say if your love grows,
As your heart chose?
Only time...
Who can say why your heart sighs,
As your love flies?
Only time...
And who can say why your heart cries,
When your love dies?
Only time...
Who can say when the roads meet,
That love might be,
In your heart.
And who can say when the day sleeps,
If the night keeps all your heart?
Night keeps all your heart...
Who can say if your love grows,
As your heart chose?
Only time...
And who can say where the road goes,
Where the day flows?
Only time...
Who knows?
Only time...
Who knows?
Only time...
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Porque nem tudo o que é passível de ser "apagado" é passível de ser esquecido...Há memórias que queremos com todas as nossas forças não ter que as perder,mesmo quando a razão nos indica que sim…
Joel, um ser pacato, introspectivo, tímido, com a sua mente desorganizadamente organizada, necessitado de um vendaval, para depois do vendaval, poder reorganizar o seu império de afectos e poder abri-lo para o exterior...exteriorizar o que apenas um pequeno caderno tem oportunidade de codificar e preservar...
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Clementine ,uma força da natureza, tem tudo aquilo que ele não tem mas, ao mesmo tempo, parece que passou uma vida num turbilhão para que encontre aquele olhar terno, atemorizado, a precisar da sua atenção e perceber que aquele ser pacato, estranho, fechado que parece não ser capaz de mudar a ordem das coisas, é capaz de mudar a ordem do seu mundo, com o mais pequeno dos gestos...Com ele, ela sente que encontrou aquele bocado de ar que lhe faltava e a fazia sufocar nas suas próprias manias e dúvidas...
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Com ele não precisa de mudar de cor consoante o tempo, vontade ou disposição… com ele, ela pode ser todas as cores, todos os dias, pode ser a “little sweet clementine”....
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Um filme dirigido aos sentidos mais ternos, às memórias e a capacidade de nos recriarmos através delas...Como uma memória pode valer mais a pena que a dose de realidade que nos acorda no dia a dia...
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Uma história de uma relação de seres totalmente diferentes, com tudo para dar errado, que acabou...Se pudéssemos apagar simplesmente uma pessoa da nossa memória para apagar a dor da sua ausência e resolver todos os nossos problemas...Valeria a pena? Seria possível, apagar as suas memórias sem nos apagarmos por consequência...? Que seremos nós sem as nossas memórias, por mais que num dado momento nos custe recordá-las?
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Clementine quis apagar Joel, que por sua vez tentou apagar Clementine....Mas ao apagar as suas memórias, sentiu que elas habitam nos mais recondidos espaços do nosso ser,..são transversais à nossa existência...Boas ou más, valem a pena serem guardadas....
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Geralmente quando uma relação termina,a imagem que fica é sempre aquela última discussão...aqueles momentos de ruptura, de raiva, de palavras que saem da boca para fora e do coração que se retrai, do copo que já transborda e da ideia de não retorno...Como se só tivesse existido aquela pessoa desde sempre e mais nenhma outra, e tudo o que havia antes era ilusório ou pouco real...As pessoas esquecem-se que para chegarem àquele estado, foi necessário terem amado muito antes,t erem tido sentimentos muito profundos...Não seria curioso e mais verdadeiro, no momento em que nos precipitamos para colocar um fim a uma relação, num nós que construímos como uma pequena casa, forrada dos mais variados momentos irrepetíveis(por mais que os tentamos transpor noutras pessoas, noutras situações, são irrepetíveis porque era com alguém em específico que ganhavam aquele dado sentido e não outro…) das batalhas travadas juntos, dos sorrisos, daquela noite em que o tempo parou...das longas conversas sobre banalidades e sobre a mais séria das coisas, em que parecia não haver fim na curiosidade mutua de saber tudo o que havia para saber sobre essa pessoa nessa mesma noite...?Querer prolongar uma conversa porque parece-nos poesia a voz dessa pessoa...não queremos que tenha que parar...queremos que ela saiba tudo, desde aquilo que sentimos e nunca dissemos, daqueles momentos embaraçosos desde a nossa infância que escondemos de todos, dos sonhos que queremos um dia partilhar...Do que fomos, do que sentimos e do que isso nos faz ser o que somos hoje…Querer saber também, tudo o que essa pessoa foi, sentir que queríamos ter estado lá para a conhecer em todos os momentos da sua vida…Esquecermo-nos do tempo enquanto nos encontramos naquela pequena bolha mágica.... Enfeitiçados por aquele olhar, intrigados com os mais pequenos trejeitos que só nos fazem querer conhecer todas as suas faces.,fechar os olhos e ter a capacidade de saber como ela estaria a cada momento, a cada acontecimento novo...Estar no meio de muita gente, e comunicar com um olhar.... .
Se fosse esse momento o último recordado? Aqueles momentos em que sentimos o seu corpo colado ao nosso ao adormecer...em que lhe segredamos ao ouvido...em que a sua voz nos embala e se torna impossível discernir o que é real ou sonho...Se fosse possível ser o último momento, aquele momento em que o nosso coração explode aquando do 1º beijo...aquele momento enternecedor em que os olhos amam, em que o toque é terno, em que mãos se entrelaçam e eternizam...

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Se fosse aquele dado momento, em que olhávamos para aquela pessoa e pensávamos " eu sei que vou amar desesperadamente esta pessoa, acho que não quero ter que amar mais alguém...só quero sentir os seus beijos para sempre, acompanhar os seus passos, quero que ela seja o meu porto seguro, sinto-me capaz de me apaixonar por esta pessoa a todo o instante e segundo que ela respira...”Em que até aquilo que à partida pareciam defeitos ou falhas são, por nós ,não só toleráveis, como nem pensamos na hipótese de ela perder tudo aquilo que a torna autêntica...real...
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Se fosse possível ser assim? Inverter a lógica das memórias? Ser da 1ª para a última...?Será que teria que haver um fim? Ou poderiamos optar por um novo começo? Creio que essa seria sim a forma mais justa de saber se duas pessoas devem mesmo ficar juntas para sempre ou não...Joel reapaixonou-se por Clementine ao ver as suas memórias desvanecerem-se e escaparem-se...Para isso deu-lhe o que sempre tinha faltado...Aqueles espaços que ele mantinha trancados...faltava que ele partilhasse e abrisse aquela caixinha de sensações, de constrangimentos...Porque amar é também sermos frágeis, é não ter medo de expor essa fragilidade para alguém, sem que isso significa que sejamos fracos... A força que se exige é a força para nunca se parar de acreditar e lutar por algo que vai mais além da nossa compreensão, é ter a coragem e a força para não fugir dos sentimentos ,por mais mudanças que a vida nos vai dando...Ser forte é ter coragem de ficar… de não apagar,adaptar...de não perder, recuperar…
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A ideia de que, da mesma maneira que é possível apaixonarmo-nos uma série de vezes na nossa vida por várias pessoas, é possível fazê-lo pela mesma pessoa que foi capaz de abalar o nosso pequeno mundo com a sua presença, tornado-o mais agitado por vezes,quase como uma montanha russa inicialmente, provocando-nos o pânico até, em alguns momentos ,de tão habituados que estamos a que não invadam o nosso espaço de segurança e desliguem ,de forma tão natural, o nosso mecanismo de defesa para as pessoas... Podemo-nos apaixonar todos os dias pelas mesmas pessoas…Há sempre um novo pormenor, ou os mesmos pormenores ,que pelo facto de serem só nossos ,fazem com que todos os dias tenham outro brilho…Acho que a palavra rotina é por vezes rotulada com um sentido demasiado negativo…Há rotinas que são boas que sejam mantidas…A rotina que é partilhar algo com alguém, conhecer profundamente alguém e aceitar e amar alguém da exacta forma que ela é e termos rituais que são só nossos, por mais banais que possam parecer, o facto de serem só nossos e de mais ningém,torna-os num ritual que nos faz mais felizes todos os dias, exactamente, por não ter que mudar nem querermos que mude, mesmo quando já nem damos conta disso no dia a dia , por já estarmos tão acostumados a que isso seja “o normal “, quando é essa “normalidade” que nos faz transportar algo de mágico e especial no nosso peito todos os dias, e que nos aconchega secretamente todos os dias…
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A ideia de argumento deste filme é absolutamente brilhante. Creio porém, que tem algumas falhas em termos de sequência da historia. O facto de ter tido uma produtora que queria capitalizar o investimento e, não se tratando apenas de um projecto pessoal, obrigou a que cenas mais intimistas e marcantes para a história ficassem de fora para incluir alguns clichés desnecessários para agradar produtores…
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Do filme retira-se acima de tudo a reflexão… Os pequenos momentos como instantes irrepetíveis… Uma realização brillhante de Gondry, que consegue filmar as memórias de Joel e Clementine de uma forma suave e profunda simultaneamente…capaz de nos fazer identificar com esses pequenos instantes que todos nós já partilhamos com alguém,ou sonhamos partilhar com alguém. Uma imagem que nos deixa entre o real e o sonho e com a ideia de que as memórias que guardamos são recriações nossas daquilo que realmente vivemos…São já uma 2ª experiência que ao recordar se convertem na 3ª… Cada um, do mesmo conjunto de eventos guarda memórias com nuances diferentes….

Depois ele joga muito bem com a câmara e com a alteração de ritmo entre a suavidade e doçura de memorias com a velocidade que elas vão sendo apagadas, como que criando uma perseguição de uma fuga quase…A sensação da memórias se nos escapar por entre os dedos e nós fazermos toda a força para a esconder num local especial e não a deixar fugir…Conseguiu através das imagens emocionar…Isso é a prova de um grande realizador…Quem consegue transmitir uma ideia, um conjunto de sensações, sem que seja sequer preciso ler o argumento ou ouvir o diálogo entre as personagens…Para quem veja imagens do filme acompanhadas da muito bem escolhida banda sonora, fica automaticamente hipnotizado, e os sentidos ficam mais apurados, e a emoção é espontânea e nada leviana ou lamechas.
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A forma como nós podemos comunicar com as nossas memórias, como podemos imaginar uma série de coisas que não chegaram a acontecer, como lermos a mesma história todos os dias mas tentarmos alterar o final, tentarmos comunicar com cada memória, saber o que seria dito, o que seria feito, os diálogos que ficaram por fazer, as pontes que ficaram por manter...
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Gondry tem a necessára sensbilidade para como que conseguir captar esses pequenos instantes,atento aos pormenores que tornam a memoria mais rica...as expressões, os siêncios...Gondry capta isso tudo, e consegue transmitir imagens de rara beleza...Dwe gestos simples como simples troca de abraços,beijos, de expressões, de palavras e afectos partilhados...Consegue captar a beleza que os gestos mais banais e as rotinas de um casal podem ter...
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Cumpre salientar, duas interpetações notáveis de Jim Carrey e Kate Winslet, eles conseguiram estabelecer aquela química e dar às personagens a profundidade necessária, uma química instantânia, fazendo com que tudo seja credível. Preencheram muito bem as personagens com a idéia exacta do que cada uma representava para si mesma, mas também, na influência que cada uma tinha na vida da outra.
Kate Winslet é uma das minhas actrizes de eleição,está mesmo entre as minhas favoritas. Actriz versátil, carismática, que consege dar profundidade a todos os seus trabalhos e adaptável a todo o tipo de gêneros... O Oscar veio tarde...Esta Clementine é absolutamente apaixonante...É sempre apaixonante ver Kate Winslet em qualquer filme, só a sua interpretação já costuma valer o preço do bilhete.
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Jim Carrey que se destacou pela comédia física, mostrou em Eternal Sunshine of The Spotless Mind ser um actor completo, capaz de se adaptar muito bem ao drama, demonstra ter muita paixão e ser totalmente obcecado pelas personagens que interpreta. Para mim, no entanto, este Joel é talvez uma das melhores intepretações,senão a melhor, da sua carreira.
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Última palavra para a FANTÁSTICA banda sonora…Mestre Jon Brion no seu melhor, e uma versão sublime do Beck do tema “everybody gonna learn sometime”… Uma conjugação perfeita de som e imagem…De momentos, memórias,sensações, desassossego, perda, recriação, renascimento… um hino aos sentidos, e à importância que a memória tem na forma como cada pessoa se aproxima ou se afasta e como se compreende a si própria e aos demais na sua vida….

Aqui fica um pequeno video com a música de Beck:
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A súblime música de Jon Brion:
(Destaco a fotografia do filme, que é também exelente. Se pudesse teria um poster enorme só para mim com aquele fotografia exacta de de ambos instantes após um beijo (entre 1.56 e 1.59), com aquelas cores de fundo que nos remetem para um imaginário de memórias,sonho,instante irrepetível e mágico, quando sentimos o sabor de quimera nos lábios...)
Simplesmente...belo.
Sei que já estou a abusar,mas já que ousei falar de um filme que gosto tanto, terei que deixar também as minhas duas cenas que mais me comovem e me tocam em todo o filme:
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