Este post deveria ter saído mais cedo. Mais propriamente no dia que se recordava os 10 anos da morte de uma das maiores divas da música Mundial. Amália Rodrigues. Uma personalidade ímpar. Quando novo, nunca fui grande fã,sempre optei mais pelo Fado de Coimbra ainda hoje, um fado mais associado aos estudantes, à luta pela democracia e liberdade e à expressão da vida académica e amor a uma cidade. Contrariamente ao Fado de Lisboa que sempre o achei demasiado vazio de lírica por vezes e um baluarte de uma época e de um regime que não deixa saudade. . Nos últimos anos, com outra maturidade, tenho olhado para Amália com outros olhos. Não por causa de modas como os "Amália Hoje" que não aprecio especialmente e até acho de certa forma abusivo à memória da diva. Uma coisa é um projecto com os Humanos em que se pretendia homenagear António Variações com músicas que ficaram por ser cantadas por ele, e que com a colaboração de grandes músicas portugueses,viram a luz do dia. . Outra coisa é querer fazer-se do Fado de Amália, algo pop, dar-lhe uma roupagem que desvirtua um pouco o seu significado, e cantando músicas que valem por si mesmas com o pretexto de dar a conhecer Amália a outros públicos...Isso é partir do principio que Amália e o seu fado não conseguem impor-se por si próprios e captar a atenção do público,algo que discordo veementemente. . . O Fado não está morto, temos ainda um enorme Carlos do Carmo e temos uma nova geração com Ana Moura,Mafalda Arnauth que dão outro rosto ao fado e ainda o expoente máximo de sucesso no exterior:Mariza. . Grandes vozes,sem dúvida,mas nenhuma chega perto de Amália...Não por falta de qualidade.Por exemplo,pode chocar,mas na minha opinião tecnicamente Mariza tem um alcance de voz e uma técnica de colocação da mesma, superiores ao de Amália...Mas não chega perto ao arrepio que sentimos ao ouvir uma interpretação de Amália...Porquê? Porque Amália era diferente de tudo,era uma força da natureza,ali não havia aulas de canto,técnica,cuidados com a voz etc...Amália fumava maços e maços de tabaco por dia, nunca se preocupou muito com o preservar da sua voz,antes com a autenticidade e qualidade do que cantava...ali havia sentimento,a voz saía-lhe de dentro,de um lugar bem fundo do seu ser, carregava consigo o peso das palavras que cantava, era uma voz que saía do povo...Era uma experiência totalmente transcendente,só a sua presença como que conseguia iluminar uma sala até à última fila,com o seu enorme carisma. . . Amália era muito mais que a simples voz...Amália era sentimento,ela era o Fado. Entre o Fado e Amália havia uma relação umbilical, o fado corria-lhe nas veias e era a única forma dela conseguir expressar todos aqueles sentimentos negros e sombras que a perseguiam...Ela sempre pensou no Fado, como a ideia da fatalidade, transposta na obra de Luís de Camões como triste fado. A ideia de fatalismo, de nostalgia,saudade,tristeza... O Fado confundia-se com a amálgama de sentimentos que compunham a personalidade enigmática de Amália...No meio de tanta gente, e sendo ela uma pessoa que tinha por maior medo a solidão, ela sempre se sentiu só...A ideia de que a tristeza e esse pesar caminho eram a sua maior certeza e garantia e que, através do fado, ela encontrou o companheiro perfeito para o casamento entre a sua "estranha forma de vida" e aquela sonoridade em que ela podia comunicar o que lhe pesava no seu coração..., a forma e o estilo que a compreendia...A ideia de tragédia esteve sempre associada ao seu canto, ao seu percurso, e daí nada ser mais autêntico do que a ver cantar o fado...chega a ser difícil discernir entre onde começa um e acaba outro...Amália não interpretava,Amália era o fado que cantava...Não eram separáveis...Talvez por isso, quando chegou o dia em que a voz não lhe permitiu cantar mais, foi também o dia em que Amália foi caminhando para o seu fim.... . . Mas por outro lado,há que contar com fados mais alegres, transmitindo uma faceta lisboeta, um retrato de uma Lisboa e de um País que era o seu e de um fado mais convencional, como a Casa da Mariquinhas entre outros. Mas nada disso altera a génese da sua personalidade e do seu fado...Era também um reflexo seu. Dentro da tristeza,dentro da nostalgia,do fatalismo que a faziam por vezes até brincar com a ténue linha entre a vida e a morte e lhe conferiam uma especial tendência para o suicídio... não quer dizer que não houvesse espaço para alegria,excessos,risos,vozes,aplausos e companhia...Amália não era fraca pelo seu fatalismo,era a forma como sempre viveu,mas isso não invalida que adorasse uma festa, um serão passado com amigos, e abominasse a solidão...Isso não quer dizer porém,que mesmo nesses momentos, a ideia da morte,de fim, de pesar, não a acompanhassem...E apesar de sempre ter feito de tudo para nunca estar sozinha,ela sempre se sentiu só...
Um estado de alma, que não foi provocado pela sua infância,pela fama repentina com que viveu nem pelos palcos que encheu e grande admiração e respeito que granjeou por todo o Mundo...Era algo seu,sempre existiu.Amália e o Fado quase que parece que nasceram para se encontrar. . Amália era também intuição.Mulher sem grande grau de ensino, o que na época era normal,mas não foi por isso que deixou de ser mais do que uma bonita voz, nem foi por isso que deixou de querer marcar uma posição e de querer deixar a sua marca na vida de todos e no Fado que tanto amava.
Teve a coragem de romper com o que era convencional no Fado.Deixou que os grandes escritores entrassem no Fado,não teve medo de abrir a obras de grandes escritores,e não teve medo de as homenagear com a sua voz,com a sua música. Colocou de lado a ideia do Fado como expressão meramente popular e menor, que só deveria viver de gente que havia nascido no meio...Que havia escritores para Fado e os demais cujos quais sua obra não deveria ser conspurcada ao ser cantada por essa forma de expressão menor...Valorizou mais do que nunca a mensagem, a palavra...Ela repetia vezes sem conta que não gostava de "teatrices", para ela o fado teria que ser sentido por ela,para que tocasse as pessoas com a sua autenticidade. .
Contra muitos puritanos e críticos ferozes,Amália teve talvez alguns dos seus melhores fados quando transportou para as suas canções as palavras de grandes poetas como: Alexandro O neill, Camões,David Mourão Ferreira,José Régio. Quebrou fronteiras e deu uma expressão mais densa, mais profunda à sua obra. . . Era uma pessoa intuitiva,e isso valeu-lhe uma obra inigualável e ter conseguido escolher sempre as pessoas certas com quem colaborava e na escolha certa dos poemas que melhor encaixavam naquilo que representava o seu fado e na dor e fatalismo e, ao mesmo tempo, beleza nocturna que a sua voz transportava. . Por ser tão intuitiva,mesmo sendo uma mulher sem grandes instrução, aproveitou o sucesso que a sua música lhe permitiu gozar,viajou pelo Mundo e fascinava pela sua cultura,pelo seu bom gosto e pela facilidade que tinha em apreender tudo o que ia vendo tudo o que ia vivendo...Aprendeu inglês,francês e espalhou com o seu charme o nome de Portugal pelo Mundo. .. Por a considerar uma pessoa intuitiva,culta e inteligente, não posso esquecer (como muitos fazem,principalmente nesta época) que Amália representou um símbolo de um regime ditatorial, que a apresentavam como bandeira. Ela e Eusébio. Mas Eusébio foi mais usado pelo regime do que propriamente beneficiado por ele...Chegaram a impedi-lo de ir ganhar o triplo do que ganhava em Portugal para o Internazionale de Itália, decretando-o património nacional. Um ingénuo Eusébio que foi bastante explorado na época. . Amália tinha outro grau cultural que Eusébio não tinha...Teve favores de um regime que a permitia viajar pelo Mundo todo para fazer propagando a um país que queria dar uma imagem bem diferente e favorável daquela que os portugueses viviam... Sendo Amália a Voz do Povo,ela mais que ninguém deveria saber o que o povo sofria...Não tinha a desculpa de não saber o que se passava ou não ter base de comparação,pois viajou por todo o Mundo e falou com pessoas bastante cultas e inteligentes e ela podia ver a diferença entre o que se passava em França ou nos EUA e Portugal... . Agora, os seus mais próximos tentam fazer crer que Amália nunca foi beneficiada pelo regime. Uma coisa é dizer que Amália não precisava do regime para ser quem foi.Isso concordo, Amália não precisava de ser protegida e promovida pelo regime, a sua qualidade falava por ela. Mas é também um facto que ela contribuiu de forma consciente ou não para a propaganda do regime,e ela nunca se tentou demarcar dele, com outros na época tentaram fazer.
Aliás, ela era grande amiga do poeta Ary dos Santos,comunista confesso e poeta que através da sua escrita mais tentou abalar os alicerces que sustinham aquela sociedade presa de pensamento e conhecia o outro lado, a outra versão daquele regime que tão bem a tratava. . David Mourão Ferreira foi outro que escreveu para Amália e que era muito crítico do regime e fez com a sua arte de tudo para o combater. Ouvi um argumento do fadista de João Braga que a prova de que Amália não era a favor do regime era de que tinha tido um fado censurado pela Pide...Bonito dizer isso sem que depois se explique a história toda... . O fado em questão "Abandono" tratava-se de um fado escrito por David Mourão Ferreira, uma letra que Amália acreditou tratar-se de uma cançao de amor, e de saudade de alguém que se perdeu,mas que era uma letra que de forma astuta criticava o regime e a sua polícia política e como fazia desaparecer pessoas, "no meio da noite" que nunca mais voltavam e como alguém ficava sempre à sua espera a sofrer. . Amália aí sim, na sua ingenuidade, não entendeu o cariz político deste fado e viu-o censurado sem perceber muito bem porquê porventura... . Amália que quando Salazar esteve hospitalizado,foi visitá-lo e inclusivamente escreveu umas quadras para dedicar ao ditador.
Logo, não tenho muitas dúvidas que ela gostava do regime,ou pelo menos não era contra ele,pois foi na sua vigência que ela atingiu o estrelato mundial e era um símbolo de um país e de um estado com características muito próprias, e com o 25 de Abril por o ser,passou por um mau bocado,acabando por ir viver para NY e algo que a deixou mais perto do suicídio...a ideia de estar longe da sua amada Lisboa e do país que tanta amava e que tanto a tinha amado durante anos,e que de um momento para o outro ,lhe parecia recriminar e esquecê-la tão rápido como se haviam identificado e encantado com ela... . Felizmente, o tempo e actos como o do Presidente da República Mário Soares,condecorando-a e beijando as suas mãos,fizeram com que Portugal não destinasse ao ostracismo a sua maior diva, e um dos nossos maiores símbolos culturais enquanto país. . . Devemos venerar Amália pelo seu fado,pela sua expressão cultural, e não prender-nos com questões políticas.Ela nunca quis ser perfeita, era apenas Amália.
. São 3 as grandes divas e têm sido constantes as votações e discussões relativamente a quem seria a grande voz feminina,a grande diva do século:Callas, Piaff ou Amália. Cada um no seu registo,inesquecíveieis. Eu inclinar-me-ia para Piaff e Amália,as suas histórias de vida,as suas raízes faziam com que a voz ganhasse outra dimensão,elas cantavam as ruas, as expressões, os anseios,desejos,receios, eram a voz que vinha de um povo. Ganhavam uma condição totalmente diferente assim que entravam em palco, e não necessitavam de ter a técnica perfeita, nem a trabalhar excessivamente...Eram naturalmente sublimes e a sua voz transportava muito mais que uma interpretação de uma letra. Eram sentimento em estado puro, a voz era alma e coração.
Amália também era poetiza, também escrevia...E no meio de tantos e tantos sucessos...Creio que nunca um fado a descreveu como este que hoje publico.Também é uma dos seus fados que mais me arrepiam. Letra escrita por si, e em que cada palavra, cada frase descreve a complexidade de sentimentos que era Amália e a forma como ela sempre se encarou a si mesma e à sua vida. Por isso, Amália e Fado são praticamente um só. . Uma homenagem a uma diva:
Foi por vontade de Deus que eu vivo nesta ansiedade. Que todos os ais são meus, Que é toda a minha saudade. Foi por vontade de Deus. Que estranha forma de vida tem este meu coração : vive de forma perdida; Quem lhe daria o condão? Que estranha forma de vida. Coração independente, coração que não comando: vive perdido entre a gente, teimosamente sangrando, coração independente. Eu não te acompanho mais: para, deixa de bater. Se não sabes aonde vais, porque teimas em correr, eu não te acompanho mais.
Hoje, ía eu no meu carro cheio de sono, preparado para mais um dia de trabalho, eis que quando o dia corria como todos os outros, das colunas do rádio do meu carro, oiço esta voz...familiar...O dia ganhou logo outro sentido, e a música não me saiu da cabeça durante todo o dia...É sempre bom ser surpreendido pela voz doce da Mafalda Veiga... . É apenas mais uma...Uma melodia e uma letra que me faz viajar por tantos locais que parecem infinitos e momentos que parecem ainda hoje, apesar de tudo, imortais.... Uma viajem dentro da viajem até mais um dia banal, mas que com pequenos nadas como o simples acto de sorrir ao ouvir a voz de mel de Mafalda Veiga e com esta magnífica letra, me perder num momento evasivo, capaz de me devolver à rota...Ao que realmente importa...Ao que é aconteça o que acontecer,imortal...
Por mais que a vida nos agarre assim Nos troque planos sem sequer pedir Sem perguntar a que é que tem direito Sem lhe importar o que nos faz sentir
Eu sei que ainda somos imortais Se nos olhamos tão fundo de frente Se o meu caminho for para onde vais A encher de luz os meus lugares ausentes
É que eu quero-te tanto Não saberia não te ter É que eu quero-te tanto É sempre mais do que eu te sei dizer Mil vezes mais do que eu te sei dizer
Por mais que a vida nos agarre assim Nos dê em troca do que nos roubou Às vezes fogo e mar, loucura e chão Ás vezes só a cinza do que sobrou
Eu sei que ainda somos muito mais Se nos olhamos tão fundo de frente Se a minha vida for por onde vais A encher de luz os meus lugares ausentes
É que eu quero-te tanto Não saberia não te ter É que eu quero-te tanto É sempre mais do que eu sei te dizer Mil vezes mais do que eu te sei dizer
Ontem foi uma data histórica para a melhor banda da história da música portuguesa. Os Xutos comemoraram 30 anos de uma carreira ímpar na música portuguesa, num concerto que deve ter sido memorável no Estádio do Restelo. Com muita pena minha não pude estar lá para contar... . Os Xutos são talvez a 1ª banda de que fui verdadeiramente fã. Em miúdo e principalmente na minha adolescência aprofundei o meu conhecimento pelas suas músicas e eram mesmo de forma destacada a minha banda favorita. Era um fanático dos Xutos, ao ponto de ainda no secundário ir para as Queimas das Fitas e arranjar forma de entrar mais cedo no recinto para poder guardar lugar na 1ª fila e sempre a fazer o X com os braços e a cantar e saltar de príncipio ao fim, totalmente absorvido por aquele som e energia, deslumbrado por aqueles monstros de palco.
. Lembro-me em miúdo de ter grande discussão com os meus pais,porque não me deixaram ir ver um concerto dos Xutos a uma escola perto de minha casa...O meu irmão assustou-os que poderia ser perigoso etc apenas para arranjar desculpa para não me deixar ir com ele e com os amigos... . Adorava Xutos. Rapidamente adquiri todos os seus cds,mesmo os mais antigos... Perdi a conta aos concertos que vi deles, ao ponto de já conhecer o alinhamento de cor e até as frases que o Tim diria...Já tinha aquelas discussões de fãs de quem era a verdadeira alma dos Xutos e ficava no final dos concertos para tentar falar com eles... . Sempre adorei nos Xutos o Kalu, e o grande guitarrista Zé Pedro. . São os Stones portugueses dizem. Para mim,são uma banda que me acompanhou desde sempre...Como aqueles velhos amigos, que não precisamos de estar em contacto os dias todos,mas qque nunca esquecemos.
Hoje já não oiço tanto Xutos como antes,tenho gostos musicais mais alargados,mas continuo a admirá-los e continuo a comprar todos os Cds que eles lançam, mesmo que saiba que estes Xutos já não têm a genialidade, o Rock e o brilho dos Xutos de há anos atrás...Talvez o último grande Cd à Xutos,foi mesmo os Dados Viciados... Talvez o album que me fez despertar ainda mais para eles e tornar-me um verdadeiro fã e conhecer a obra toda, ao ponto de, hoje em dia não haver uma música que eu não conheça dos Xutos...Mas os Dados Viciados e em particular a música "Dá um mergulho" por tudo o que significou naquela época para mim e as recordações que ficaram dessa época, marcou bastante, tal como depois marcariam muitas outras...
Cá fica o videoclip...Data de 1997...Saudades só de rever...
. . Falar de Rock em Portugal é falar em Xutos e Pontapés. Admirável ver miúdos de 12 ou 13 anos a hoje conhecerem-nos,admirarem-nos e a irem aos seus concertos, tal como era se calhar para outra geração quando me viu com os meus 14 ou 15 anos a ir para os concertos curtir músicas que foram escritas se calhar eu ainda nem havia nascido ou nem sabia falar ainda... . Isto é o fenómeno Xutos e o grande desafio de uma banda...Mantêm-se no topo. Conseguiram o grau de serem imortais e património histórico da música em Portugal. São unânimes e arrastam públicos dos 8 aos 80 ainda hoje. A sua música e a sua atitude permaneceu sempre jovem e irreverente mesmo com o passar de 30 anos desde que se juntaram para fazerem umas músicas Rock... . Neste último album,mostraram que ainda são capazes de ser bem mordazes e críticos em relação à sociedade portuguesa, como foram noutros tempos... A música "Sem Eira nem Beira" com alusões a um tal "Sr. engenheiro" que deu muito que falar, é a prova disso... E ainda conseguem melodias como o "Perfeito Vazio" que já mereceu inclusive, um post aqui neste blog. . Músicas são muitas que ficam na minha memória: Vida Malvada, Para Sempre, Contentores, N américa, Dados Viciados, Estupidez,Mundo ao Contrário, Barcos Gregos, Para ti Maria,Esquadrão da Morte, Negras como a Noite,Remar Remar, Tonto, Não sou o único, Só,Dia de S. Receber,Longa se torna a Espera, Enquanto a Noite Cai, Circo de Feras,Manhã Submersa, Tu aí, Inferno, 1º de Agosto...Muitas mais ficam por escrever...São muitas músicas que fazem parte do meu imaginário e que acompanharam o meu crescimento. No entanto, parece-me que a música que deveria escolher para homenagear os Xutos teria que ser esta
Afinal são 30 anos que eles viveram e marcaram gerações e gerações sempre à sua maneira:
Obrigado Xutos por estes 30 anos, e fica o desejo que comemorem ainda muitos. Sempre à vossa maneira.
A pedido de muitas famílias... Uma curta retirada de um excelente filme: Paris Je T´aime Um excelente filme, que basicamente é a junção de várias curtas de excelentes realizadores. O repto lançado a todos eles, foi filmar uma história de amor com Paris como pano de fundo... .
Há cidades que têm um efeito mágico, de encantamento, que nos percorre o imaginário por entre aqueles momentos em que estamos acordados mas sentimos que a nossa mente viaja por aquelas ruas que um dia percorremos. . Uma cidade pode ser a partilha de uma história, a projecção de um sonho, a expressão de um sentimento...por vezes há cidades que conseguem fazer-nos sentir....Que nos vêm e compreendem, ou pelo menos sentimos que mesmo não sendo nossa, parece que sempre a vislumbramos ao longe, é como que se pressentissemos que houvesse um lugar que nos despertasse esse conforto, de estarmos longe de casa e ao mesmo tempo sentirmo-nos tão preenchidos... . Há locais assim...Cidade ou não. . A cidade que desde sempre me fascinou e para a qual só capaz de viajar e me encontrar vezes sem conta quando me permito a desviar do caminho certo e linear do dia a dia.´...que relembro, revivo, e com isso me sinto revigorado... . Uma cidade pela qual me apaixonei e acho que já me tinha apaixonado ainda antes de ela sequer me acolher...Por entre as suas ruas,as suas sombras... o frio que me aconchega, a chuva poética que por vezes me abraça, o céu que de cores diferentes faz com que a cidade ganhe outro sentido... O passado e tradição a tocar com o futuro...As artes e o espectáculo, a idéia de pluralidade,paixão e a idéia de ver tantas pessoas à procura de naquela cidade realizarem um sonho.... Revejo-me nela...Nela consigo imaginar uma série de memórias que nunca criei...nela, um momento até mesmo de solidão pode ser transformado num momento de felicidade...diferente de todos os outros momentos...Porque somos felizes por pequenos pormenores...Ninguém nos está a despertar essa felicidade...somos apenas nós e aquela cidade enorme em que para ele nós somos microscópios e apenas uma das várias histórias que acolhe nas suas ruas...Mesmo sozinho, naquela cidade acho que seria capaz de nunca me sentir vazio... . Um dia sonhei viver naquela cidade, nem que fosse um ano apenas... Por isso, é engraçado como por vezes o local não é apenas o meio, ou o cenário, é mesmo o objectivo e sonho a cumprir... . Esta é a minha cidade( não desfazendo da minha amada cidade do Porto;))...: